sábado, 16 de dezembro de 2017

PORNOGRAFIA

        A pornografia é um vício barato, rápido e não contagioso. Quando garoto não era tão barato. Revistas pornôs eram, e acredito que ainda sejam, relativamente caras. Possuíam uma numerosa quantidade de propagandas e de folhas que as vezes ficavam coladas  e não voltavam ao lugar. Também não era tão rápida e de fácil acesso. Bom, se você fosse menor de idade tinha que conhecer o jornaleiro do bairro e torcer para que ele tivesse de bom humor  e te vendesse uma. 
        Com o avanço tecnológico das últimas décadas, principalmente no que se refere a internet, constatamos que basta um clique para acessar um conteúdo erótico altamente diversificado. Dependendo da velocidade de conexão, tudo acontece em fração de segundos e a um custo ínfimo, se comparado ao valor das revistas, DVD´S e outras mídias digitais. Grosso modo, o cliente tem acesso a mais variada gama de fetiches e pessoas durante o período de 24 horas ininterruptos, durante os 365 dias do ano. Ademais, com o advento e aperfeiçoamento dos smartphones, a pornografia pode ser acessada em qualquer lugar que possua sinal de rede. No trabalho, na escola, na Igreja, no cinema, na academia, no carro e até mesmo dentro do banheiro de casa, escondido da esposa ou do marido.
        A questão crucial se refere ao fato de que esse processo tem gerado diversas consequências nas relações pessoais e, principalmente, gerando uma grande massa de viciados. Isso mesmo, viciados em pornografia. A satisfação sexual é encontrada de forma solitária e toda e qualquer possibilidade de se tentar uma relação sexual com outra pessoa acaba se esvaindo após o clímax. E como uma verdadeira bola de neve descendo a montanha, esse fenômeno vai crescendo, tornando-se incontrolável, tomando, por vezes, uma grande quantidade de horas do seu dia. Sim, você está doente. Mas fique tranquilo, não é contagioso e dificilmente você vai ter uma overdose. Não adianta jogar seu smartphone fora, , quebrar seu computador, dvd, ou qualquer outro tipo de aparato tecnológico. Em uma semana você cai em depressão, como um abstêmio de qualquer outro vício.
          A cura, com toda certeza, está em nossa mente, assim como o vício também está. Se soubesse o motivo seria mais fácil. Aliás, se quiséssemos acreditar em todas as respostas mais racionais  e convenientes para nós, seria tudo mais fácil. Hoje, decidi escrever, decidi ler " O inverno de nossa desesperança" de John Steinbeck, decidi assistir "Obrigado por fumar". Hoje decidi que não, não vou acessar pornografia. Só por hoje. 


Guga Ribeiro.