segunda-feira, 2 de abril de 2018

DE VOLTA A TERRA DO NUNCA

       A atual conjuntura política e econômica de nosso país, levando-se em consideração a estreita relação entre a máquina Estatal e as grandes corporações econômicas, vem passando por um processo de pseudomoralidade, sob a égide de normas e sobrenormas determinadas, notadamente, pela elite do poder judiciário.
   Em contraponto a uma posição maniqueísta, julgando como principal diretriz, uma obsessiva intenção de execrar do nosso histórico sistema "Casa Grande e Senzala", apenas um determinado grupo político e sua principal liderança. Devemos considerar, em um primeiro momento, que a observância da lei, deve ser estendida a todos, independente de sua condição social e política. Todavia, tal fato não vem sendo observado, tendo em vista as principais decisões da suprema corte bem como dos pupilos do Capitão Gancho.
          A questão crucial dessa discussão, não se esgota, única e exclusivamente, no campo político e ideológico. Trata-se de um antigo embate entre liberalismo econômico versus intervenção Estatal. Grosso modo, evidência-se uma relação direta entre os interesses internacionais, nitidamente dos principais holdings, trustes e cartéis e as forças políticas responsáveis pela atuação irrestrita destes em território nacional, acompanhada de uma política econômica que atenda suas principais demandas.
          Não obstante, ao verificado em âmbito nacional, aliado a esse turbilhão à jato, verificamos uma total falência dos serviços públicos e um aumento assustador da violência e da desigualdade social. A chamada PAZ SOCIAL, talvez tivesse existido no " tempo que Dom Dom jogava no Andarai" ou, quando Copacabana ainda era uma " Princesinha" e não uma Rainha decadente, drogada e prostituída.
    Amplos territórios controlados por grupos paramilitares, ligados à grandes cartéis de narcotraficantes e traficantes de armas, fazem parte da realidade de alguns Estados, principalmente do Rio de Janeiro. A visão de jovens portando fuzis e granadas,  nas principais periferias e favelas cariocas, estão estampadas como um novo cartão postal. Estamos nos tornando a Medellin de Pablo Escobar, porém do século XXI.
       A grande diferença é que aqui, na cidade maravilhosa, a verdadeira "Guerra de Guerrilhas" está apenas começando. Ainda não sequestraram políticos e seus familiares. Ainda não assassinaram Generais. Ainda não partiram para a "Guerra Total", amplamente divulgada por Goebels, durante a segunda guerra mundial. Embora o atual conflito já tenha alcançado os asfaltos e vitimado milhares de civis nos últimos anos, devemos nos atentar para o fato de que tal confronto irá se aprofundar e as hostilidades irão, inevitavelmente, recrudescer.
       Como Dom João VI, acuado pela postura expansionista de Napoleão e pela pressão econômica exercida pela Inglaterra, prefiro deixar a antiga Capital Federal, deixando para trás toda mobília velha, todos os souvenirs, toda minha memória. E como uma nau portuguesa, repleta de filhos de Pedros, Juçaras e Isauras, buscamos mar à vista em outras cercanias globalizadas. Onde apenas o fato de poder dormir e acordar em paz, seja motivo para sorrir novamente.

Gustavo Ribeiro Alves 

Um comentário:

Mário Luiz da Silva disse...

Visão muito lúcida. Realmente lamentável o atual estado de coisas.