quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

PASSOS ESTRANHOS

Estranho esse corre-corre das grandes cidades.
Estranho os passos apressados.
Apressados para que?
Apressados para onde?
Amanhã serão só lembranças,
de calçadas sinuosas,
de paralelepípedos recortados.
Amanhã tudo será transparente.
Nenhum de nós estará mais aqui.
Os calçados serão outros.
As calçadas também.
Pra que a pressa?
O que pretende alcançar?
Se nada será diferente.
Ou uma cova de sete palmos.
Ou cinzas jogadas ao mar.


Guga Ribeiro

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