Polainas, velhas polainas.
Faixa na cabeça.
Até parece ridículo.
Mas não era para a gente
e talvez para as pessoas
que viveram aquela época.
Acho que o álcool não se tornou
e provavelmente nunca irá se tornar ridículo.
Independente da época.
De Baudelaire à Bukowski.
Dos egípcios ao Império do século XXI.
Não quero saber da profundidade da vida,
nem do enigma da morte.
Eu quero tudo
que a minha mente puder abrigar.
Não quero desculpas,
copos vazios,
risadas forçadas.
Não quero nada disso.
Vem pra cá meu bem.
Eu sei que as ovelhinhas dormem cedo.
E sei também que você
me faz muito feliz.
Durma agora, durma bem.
Tente se acostumar com o calor
e com os mosquitos.
Tente entender este ébrio que te ama.
E se eu escrevesse uma coisa bonita,
pode ser que você nem saiba.
Pode ser que eu rasgue e jogue fora.
Talvez eu achasse uma merda.
No fundo eu não existo,
nem vejo estrelas
e nem o sol que se põe e nasce
a mais de um bilhão de anos.
Tudo bem!
Que se foda o sol,
que se foda o mar,
o oxigênio e tudo o mais
que necessitamos para viver.
Mas não quero que você se foda.
Eu prefiro fuder com você.
E prefiro que nem leia isto,
porque estou bêbado.
E cú de bêbado,
poesia de bêbado,
não tem dono.
Você também não existe.
Veio lá do sul
e disse que vai casar comigo.
Disse que me ama.
Eu não esqueci de nada.
Não sou artista.
Quero nadar pelado agora.
Parar de escrever.
Terminar de esvaziar este copo.
Talvez gozar de manhã.
E quando fechar os olhos,
não quero sentir aquele cheiro,
de éter dos hospitais.
Fucken Crazy
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