segunda-feira, 23 de outubro de 2017

ODOR

Sinto o cheiro do perfume que te dei
Sinto o hálito de cerveja barata
Não me diga que não sabe
Ninguém ganhou na loteria
Ninguém pediu  bife no almoço
Lembro bem daquela sardinha maldita
Que cozinhei pra você quando era virgem
Esquece...
Prometo não usar cueca furada
E não devolver a colher do café na pia da cozinha.



Guga Ribeiro

domingo, 15 de outubro de 2017

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O passado nunca está morto. Nem sequer é passado.... Frase de William Faulkner.

ZED´S DEAD BABY


SOA COMO UMA VELHA CANÇÃO



Há garotas que sabem dar o melhor de si, que se permitem trazer uma sacola de papel com um verdadeiro tesouro: vodca decente, pão francês, cigarros e balas de hortelã, e também comprimidos para a ressaca. Elas sabem que você é um prisioneiro e não um paspalho que se faz passar por artista, e se não sabem, pelo menos fingem com graça.

Garotas que ajudam a enxotar o cara do aluguel, que pegam  a correspondência e jogam fora sem abrir porque são espertas, sabe que gente como você não recebe cheques de fundações, revistas nem cartões de natal, que o mundo lá fora só quer encher seu saco. Elas não dizem que você é infiel, dizem que você se vira como pode.

Garotas que coçam as suas costas e não fazem perguntas inúteis porque não querem mentiras inúteis. Garotas que qualquer um, menos você, poderia amar  e com isso estragar. Elas não precisam de um marido ciumento, não querem o yuppie amável que rala  a bunda para ganhar umas migalhas. Elas se entregam ao prisioneiro, ao cara que bate  a porta  e apaga esse mundo nojento com seus poetas sob medida e suas putinhas honoráveis. Garotas capazes de limpar a persiana sem fazer comentários, que sabem quando é hora de ir embora e que jamais levarão uma estúpida flor ao seu túmulo.

Brindo a elas.


Efraim Medina Reyes (Pistoleiros/ Putas e Dementes)


- Ai, feliz era eu quando tinha ali na cama três bombons recheados de licor:  a tua boquinha vermelha em coração, o teu peitinho branco em flor, esse teu púbis de asinhas douradas de colibri.



Dalton Trevisan ( Pico na Veia)


Vou me embora para Curitiba,
Lá irão me conseguir um emprego,
desses bem fodidos mesmo.
Mas é bom que o tempo passa voando,
e o cansaço será tão grande
que não terei tempo para lamurias escrotas,
dessa porra de baboseira de solidão e tristeza.
Fico puto quando a cerveja acaba na geladeira
e são três horas da manhã
e os bares já fecharam.
Tenho certeza que lá irão me arrumar um emprego.



Gustavo Ribeiro Alves

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ALONE


EMBAIXO DA PONTE


Como uma pedra


TODOS IGUAIS

TODOS IGUAIS





Ninguém quer ver tudo igual.
Acho tolo quem se acha diferente.
Ninguém toma banho de roupa se não estiver bêbado.
Ninguém caga na tampa da privada se não estiver dormindo.
Ninguém está salvo da morte.
Você tem medo de ser igual.
De peidar escondido.
De se masturbar intermináveis vezes quando ninguém está em casa.
Todo mundo querendo ser diferente,
com seus pares de sapatos inúteis, seus vestidos cretinos,
suas tatuagens e  piercing nos mamilos.
Todos homo sapiens sapiens.
Todos animais exóticos  e selvagens.
Que cagam, trepam, comem, dormem, acordam,
choram, riem, matam, amam  e morrem.
Todos iguais, todos exatamente iguais.


Fucken Crazy

MATRIMÔNIO

MATRIMÔNIO



Eu nunca tive noiva,
Já juntei, já casei também.
Tive poucas namoradas.
De fulana me lembro os dentes separados,
De sicrana me lembro do cheiro de talco no pescoço.


Não me lembro das calcinhas, das unhas  e dos escapulários.
Lembro bem dos mamilos,
do sexo, com ou sem cabelo,
dos lábios finos ou carnudos.


Mas jamais esquecerei,
Daquela água fervendo que cai nas costas após o êxtase.
Daquele lençol barato de motel.
Daquele cinzeiro cinza,
e do cheiro de mofo na cortina.


Quando era moço preferia os beliches, as camas de solteiro.
Gostava do parque, da praça, do cinema... mudo.
Passava o dia sem lavar as mãos,
Pra poder sentir o cheiro de buceta no dedo.



Eu nunca tive noiva,
juntei, casei e até namorei.
Mas o ue sempre mais gostava,
era quando meus lábios tocavam aquele colarinho branco,
quando sentia aquele néctar descer a garganta.
O mundo podia parar ali.
Garçom! mais um chopp por favor.



Gustavo Ribeiro Alves    

SLUT




         SLUT




Abre-te as ancas ,
Com a  lascívia de um açougueiro que desfia o primeiro peso.
Joga-te de cara na parede
E coloca-te o falo pulsante,
Que desliza nesse oceano encharcado.


Repete o compasso de uma Maria Fumaça,
Café com pau, café com pau.
Puxa-te o cabelo,
E sentes  a respiração ofegante ao pé do ouvido.


Misturada com palavras de baixo calão,
Que você sempre fingiu não gostar.
E suada como uma cerveja que saiu do congelador,
Espera o momento de ser sugada
e regojizar, naquele sofá da liquidação.


Fucken Crazy