Não sou ninguém! Quem é você?
Ninguém - Também?
Então somos um par?
Não conte! Podem espalhar!
Que triste - ser - Alguém!
Que pública - a Fama -
Dizer seu nome - como a Rã -
Para as almas da Lama!
Emily Dickinson
Vivo em um pequeno planeta, em uma galáxia chamada via láctea . Ainda quero conhecer os planetas das 4 bilhões de galáxias que o universo abriga. Não tenho muito tempo pra isso. Caminho na velocidade da luz. Os sonhos tem sido mais velozes e o amor me faz ter paciência pra esperar nosso disco voador.
Não sou ninguém! Quem é você?
Ninguém - Também?
Então somos um par?
Não conte! Podem espalhar!
Que triste - ser - Alguém!
Que pública - a Fama -
Dizer seu nome - como a Rã -
Para as almas da Lama!
Emily Dickinson
Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.
Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura
Tua mão contém a minha
de momento a momento:
é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.
Nada me dizer,
porém entra-me a carne a pesuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.
Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta de meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda a alma.
Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas
Gilka Machado
Despertador tocou.
Olhei pela janela.
A noite ainda invadia o meu quarto.
Era hora de levantar.
Botei minha camisa limpa
Mas amarrotada.
Tomei um café.
Sem aquelas baboseiras
De casa de rico na T.V.
Aqui é periferia mano.
Caminhar até o ponto.
Pegar o busão e ficar pensando
Em momentos bons e coisas boas.
Esperar ansioso a hora do almoço.
E depois ir embora no mesmo coletivo
Que peguei de manhã.
Com as mesmas pessoas que vivem como Eu.
Esperando o fim de semana chegar
Novamente.
Guga Ribeiro
Um ataque aéreo.
Crianças mortas no chão.
Mães chorando.
Pais distantes.
Sonhando com pouca coisa.
Um lar aquecido.
Um abraço dos filhos.
Um beijo da esposa.
E um copo de café quente.
Aquele com cheiro que lembra infância.
Quando as armas eram feitas de madeira.
Quando brincávamos de policia e ladrão.
Depois chegavamos em casa
Ganhavamos uma bronca da mãe
- Direto pro banho! Ela dizia.
Depois....
Um cobertor, um café com leite.
Boa noite mãe!
Boa noite meu filho!
Dorme com Deus!
Eu te amo!
Guga Ribeiro
Tenho a impressão
De que os anos estão mais velozes.
Minha mãe já se foi.
Aquele vizinho legal também.
Na infância o tempo passa devagar.
Porque cada dia é uma novidade.
Gostos, cheiros, gestos...
Isso já se foi.
Não tem mais nenhuma novidade.
Mas presumo que de todas elas
Eu já sei do que gosto.
Aí fica mais fácil viver .
Fica mais leve a jornada.
Porque da metade
Tenho certeza que já passei.
Então o que realmente importa
É Hoje.
O momento exato em que sentimos o oxigênio.
A resposta certa que damos do fundo da sala.
A topada doida do canto do sofá.
Assim mesmo.
Ainda posso escrever.
Guga Ribeiro
Não entendo Mário
Nenhum Andrade.
Nem era para entender.
Nem aquele que carrega em seu nome
A cruz do Nazareno
E o Souza dos cigarros.
Entendo o b-a-ba do Jorge
Muito Amado.
A intensidade do Azevedo
O da face Caliban.
A loucura do Augusto
Dos anjos caídos.
Entendo o Dias
De índios guerreiros.
Entendo batatinha quando nasce.
E só recentemente entendi.
Que ela não se esparrama pelo chão.
Que espalha ramas pelo chão.
Que loucura!
Guga Ribeiro
As vezes, a noite, antes de dormir
Penso muito no fim.
Não só naquele fim escuro e frio
Penso no fim daquilo que fica.
No fim do amor, dos amigos, da vida, da família.
Realmente nada é eterno.
Nem os átomos desta galáxia.
Nem os copos mais bonitos de vidro.
É o fim do pensamento, da consciência do EU.
Ainda ficamos por um tempo na terra.
Em algumas próximas gerações.
Depois.... Não importa depois.
Importa você, importante hoje, importa nós.
Enquanto respirarmos o mesmo ar
Eu e você.
Seu sorriso, seu olhar
Minha pele morta
Meus dedos enrugados
Esperando o momento de virar átomo.
Guga Ribeiro
Às vezes quebrava as coisas
Com socos e pontapés.
Parecia um estalo em meu cérebro.
Que me transformava em um animal
Bípede, homo sapiens sapiens.
No âmago da violência.
Daquela que sua natureza não esconde.
Depois me acalmava.
Como uma criança que teve um sonho ruim.
Coração desacelera.
Respiração diminuía.
Um copo de água gelada.
Um conselho de um amigo.
Muito melhor que uma caixa
De Carbonato de Lítio.
Guga Ribeiro
Ninguém precisa chorar no meu caixão.
Nem lembrar de nada sobre mim.
Ninguém precisa levar flores
Nem nada.
É só mais um dia.
Que minha carne podre será de serventia aos vermes.
Que meus ossos serão trocados da gaveta,
Quando chegar o dia.
E daí nada...
Absolutamente nada...
Será capaz de me resgatar,
Da eternidade do esquecimento.
Guga Ribeiro
Meu pau é maior que o seu.
Mas e daí.
Se quando você goza não sou eu quem apaga do seu lado.
E o que importa?
Se quando você chega, tudo continua no mesmo lugar.
E aí o tempo não vai embora.
E o que chega no meu coração,
Eu lembro com um sorriso.
E os amigos...
Estão todos aqui.
Vivos ou mortos.
Continuam...
E então continue sorrindo.
E agradeça...
Por poder ver,
E ouvir,
E cheirar,
E tocar ,
E beijar.
Com a pele mais vivida do mundo.
Guga Ribeiro
É sempre bom .
Um para o sexo maravilhoso.
Outro para suportar a dor.
Nunca serão os mesmos.
Porque quem suporta, não goza fartamente.
Nem bate quando você quer.
Nem fala o que você não quer ouvir
Porque essas duas pessoas.
Somente coexistem.
Em um mundo de mentiras e desilusões.
Guga Ribeiro
Eu corto o L das palavras.
Eu meto o "r" no lugar do Flávio.
Eu uso gíria e lembro de ajudar os irmãos.
Eu corria descalço atrás de pipa.
Eu jogava bola com golzinho de saco de farinha
E de madeira encontrada no lixo.
Difícil achar madeira.
Daquelas de lei.
Que a Europa roubou.
Porque foi mediante violência ou grave ameaça.
Aquelas cujas naus despontavam no horizonte.
Carregadas de homens de cor preta.
De metais cortantes.
E pólvoras e bolas de chumbo.
Jatobá, pau-brasil.
Brasil mesmo.
Terra de Ninguém.
De faroestes Caboclos,
Cafuzos, mulatos e mestiços.
Essa é nossa gente.
Guga Ribeiro
Se não for para ser feliz,
Que seja apenas por minutos.
Que não atinja em cheio o coração.
Que permita perdoar.
Porque quem erra também ama.
E ainda que os dias se passem.
E ainda que o desejo de te ter
Seja tão incrível e tão honesto.
Que jamais seria capaz de sucumbir.
Ao que os monstros do Olimpo,
Ousaram transcender aos seus próprios deleites.
Caminha como que o tempo não possa parar.
Ri, chora, vive e goza.
Porque não temos como lutar contra a eternidade.
Porque agora o hoje acontece.
Agora.
Guga Ribeiro
O sol brilha no céu.
Iluminando o cenário carioca.
Casas, morros, verde e mar.
Prédios, carros, janelas, sinais.
Vontade de sair caminhando por aí.
Olhando rostos desconhecidos.
Pensando em nada e em tudo.
Sem destino ou direção.
Ancorar em um porto de paz e tranquilidade.
Fazer uma bela refeição.
E depois deitar debaixo de um pé de amendoeira.
O sol vai caindo no horizonte.
O burburinho, o barulho dos motores.
Os pés apressados e os olhares cansados.
Na fila do ponto final do ônibus.
Falando com senhoras.
Que lembram amor materno.
Conversamos sobre a vida.
Ouço, sobretudo ouço.
Diaristas, caixas, aposentadas...
Fazem sempre o mesmo itinerário.
Da casa para o trabalho.
Do trabalho para casa.
O sol brilha agora no Japão.
Aqui no Brasil a noite é diferente.
Nas marquises...
Crianças, homens, mulheres, cachorros, papelão, cachaça, sujeira e vida.
Dessas que a gente já se acostumou a ver.
Nos bares....
Sorrisos, paixões e olhares libidinosos.
Permeados por uma dose certa de qualquer coisa que te faça transcender.
E imaginar o sol brilhando em Tókio.
Iluminando o Monte Fuji.
E os lindos jardins do imperador.
Guga Ribeiro.
Cada dia é uma mudança.
Cada raio se sol uma esperança.
Um novo amanhecer, uma aurora boreal.
Todos sonhamos em ser felizes.
Em fazer o que nos faça plenos.
Que nos deixe leve, que nos traga paz.
Cada um de nós existe pelo amor.
Amor que há em cada um.
Amor em todos nós.
E hoje vamos ser felizes.
Vamos agradecer o pão, o sal e o açúcar.
Vamos brindar nossas vidas.
Vamos amar que é o que nos resta.
Hoje você vai dizer EU TE AMO.
Mas pode deixar que eu te ajudo.
Vou contar até três e a gente fala juntos...
EU TE AMO.
Guga Ribeiro
Uma pérola escondida no fundo do mar.
Esperando ser encontrada por alguém que mereça seu brilho e sua luz.
Um pássaro colorido escondido no meio da floresta.
Esperando ser encontrado por alguém que mereça ouvir seu canto e vê lo voar.
Ser mar, ser terra...
Estar em tudo e em tudo se encontrar.
Uma beleza rara nunca pintada.
Um olhar avassalador, uma sintonia muito diferente.
Você me deixa tonto, bobo, feliz.
Você me faz acreditar que é possível continuar a amar.
Você é minha paz, minha manhã de sol.
Minha lua cheia de céu estrelado.
Você é única, mais que especial.
Você é a pérola que encontrei escondida no fundo do mar.
Guga Ribeiro
Uma beleza cinematográfica.
Daquelas que deixariam qualquer espectador pasmo.
Uma beleza irresistível e encantadora.
Um sorriso fotográfico.
Daqueles que se eternizam em nossas memórias.
Compondo um rosto rubor.
Uma forma única.
Que se revela através de um verde mar refletido nos olhos.
O mesmo que te fita serenamente.
Enquanto as mãos se entrelaçam.
Os pés se contorcem.
E a mente percebe.
Que já é hora de acordar um coração.
Que descansava....
Nas geladas montanhas da dor.
Guga Ribeiro