Perdas
Quantas letras serão precisas para resumir a dor de não poder te ver mais? Para tirar de minhas costas tudo que juntei pela estrada. Quem teme o mal quando se está feliz? Quem teme a morte quando o riso se espalha na mesa? Terei que me conformar em ver seu rosto ao nascer do sol no meio da baía. Talvez nunca vá entender, afinal nunca fui bom em partidas, apenas chegadas. E as escolhas de que me assenhorei, que valem não mais que recordações em álbuns que não consigo imprimir. É de apertar o coração essas partidas, sejam definitivas, sejam temporárias ou casuais, são partidas. De quem nos afeiçoamos por querer, de quem apenas esperamos um sorriso sincero, de quem olha com a profundidade de um espelho de água de 4 mil metros. E é lá que estou, bem no meio de duas falhas, pronto para cair em uma fossa abissal e desaparecer na escuridão. Virar um ser de fotoluminescência, estranho e raro, como quem ainda não consegue entender que essa simplicidade da vida, por melhor que seja, ainda não mostrou o caminho de casa. Porque a casa não existe, porque os sonhos não existem, porque a vida perece, porque as letras se apagam, assim como as lágrimas secam e o dia termina de algum jeito.
Gustavo (Guga - Fucking Crazy)