Esses dias demoraram tanto a passar.
E hoje, mesmo ainda, havia dúvida quanto a tudo.
Então segui a estrada em uma velocidade constante.
E o que consigo ver daqui de dentro, são apenas pontos de luz em meio a escuridão.
E em meio a tudo que fomos...
E em meio a tudo que fizemos...
Foi plantada uma semente.
Que germinou e se transformou em um lindo rapaz.
De sorriso malicioso e mãos grossas.
Um rapaz mais sincero que uma alma pode permitir.
Mais puro que a primeira gota de orvalho pela manhã.
Vale muito a pena sentir as rodas do ônibus rodarem na estrada.
Vale muito a pena procurar uma posição aconchegante no assento durante a madrugada.
Vale o café do meio da estrada.
Vale a geada, valem as pernas dormentes,
O canto da cigarra e a terra molhada.
Porque não importa o caminho.
Não importa o que passou.
Quando sei que o meu destino,
Será olhar sua alegria.
Será ver seu sorriso tímido.
Poder te pegar no colo e te abraçar.
Sentir seu cheiro e poder dizer
Que o papai te ama
E que sua irmã está te esperando lá em casa para a gente brincar.
Guga Ribeiro
Vivo em um pequeno planeta, em uma galáxia chamada via láctea . Ainda quero conhecer os planetas das 4 bilhões de galáxias que o universo abriga. Não tenho muito tempo pra isso. Caminho na velocidade da luz. Os sonhos tem sido mais velozes e o amor me faz ter paciência pra esperar nosso disco voador.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
PARA TI
Agora sabe que essa é para você.
Para seu sorriso lindo,
e sua risada inesquecível.
Para seu ombro largo
e suas duras mãos.
Ninguém sofre por querer.
Ninguém ama por querer.
Caminhamos sob o luar,
na orla mais bonita.
Observamos o reflexo dos pescadores.
Daqueles mesmos, feitos de marfim.
Deixo cair comida na roupa.
Deixo minha roupa cair sobre ti.
Espero sempre seus olhos.
Olharem para dentro de mim.
Guga Ribeiro.
Para seu sorriso lindo,
e sua risada inesquecível.
Para seu ombro largo
e suas duras mãos.
Ninguém sofre por querer.
Ninguém ama por querer.
Caminhamos sob o luar,
na orla mais bonita.
Observamos o reflexo dos pescadores.
Daqueles mesmos, feitos de marfim.
Deixo cair comida na roupa.
Deixo minha roupa cair sobre ti.
Espero sempre seus olhos.
Olharem para dentro de mim.
Guga Ribeiro.
BIGODE
Eu?
Nem tinha Cantinflas bigode.
Nem Chaplin nasceu assim.
Ninguém esperava por nada.
Nem Kurt, Nem Cornel, Nem Renato.
Sabiam de tudo, cansados de tudo.
Do previsível, da chatice.
Das frases feitas, dos ideais perfeitos.
Um saco, Um porre.
Uma baboseira para nada.
Talvez para Rousseau, Gandhi, Dali.
Para mim nada, nada mesmo.
A roda gira.
A lua morre todo dia.
O sol também.
E Nós, mais rápido ainda.
Guga Ribeiro
Nem tinha Cantinflas bigode.
Nem Chaplin nasceu assim.
Ninguém esperava por nada.
Nem Kurt, Nem Cornel, Nem Renato.
Sabiam de tudo, cansados de tudo.
Do previsível, da chatice.
Das frases feitas, dos ideais perfeitos.
Um saco, Um porre.
Uma baboseira para nada.
Talvez para Rousseau, Gandhi, Dali.
Para mim nada, nada mesmo.
A roda gira.
A lua morre todo dia.
O sol também.
E Nós, mais rápido ainda.
Guga Ribeiro
VIVO
E se tudo isso fosse um sonho.
Que seria de nós, de nossos planos.
Que seria da grama do jardim,
das crianças brincando escondido.
Que seria do cachorro abanando o rabo.
E se tudo acabasse hoje.
Como quem se despede de um bar.
Esperando acordar no outro dia.
E esse dia nunca chegar.
Não te iludas com o que não conhece.
Não te iludas com o livre pensar.
Toda paz derradeira alegria.
Que descobre a arte de amar.
Que descobre a torpeza da vida.
Que descobre a beleza de estar.
Vivo.
Guga Ribeiro
Que seria de nós, de nossos planos.
Que seria da grama do jardim,
das crianças brincando escondido.
Que seria do cachorro abanando o rabo.
E se tudo acabasse hoje.
Como quem se despede de um bar.
Esperando acordar no outro dia.
E esse dia nunca chegar.
Não te iludas com o que não conhece.
Não te iludas com o livre pensar.
Toda paz derradeira alegria.
Que descobre a arte de amar.
Que descobre a torpeza da vida.
Que descobre a beleza de estar.
Vivo.
Guga Ribeiro
LIEBE
"Sie sehnen sich nach Liebe,
sie leben für die liebe,
sie töten für die liebe
und sie sterben für die Liebe"
Amar, verbo.
Amo, também.
Tudo disfarce.
Amando, gerúndio.
Amei, pretérito perfeito.
Nada perfeito.
Tudo Errado.
Ninguém ama, todos mentem.
Mentem para tudo, para Nós,
Eu, Tu, Eles.
Mentem como verbo,
como substantivo, adjetivo, advérbio.
Ai, que bom que seria.
Poder amar em alemão.
"Elas anseiam por amor,
vivem por amor,
elas matam por amor
e morrem por amor"
Guga Ribeiro
sie leben für die liebe,
sie töten für die liebe
und sie sterben für die Liebe"
Amar, verbo.
Amo, também.
Tudo disfarce.
Amando, gerúndio.
Amei, pretérito perfeito.
Nada perfeito.
Tudo Errado.
Ninguém ama, todos mentem.
Mentem para tudo, para Nós,
Eu, Tu, Eles.
Mentem como verbo,
como substantivo, adjetivo, advérbio.
Ai, que bom que seria.
Poder amar em alemão.
"Elas anseiam por amor,
vivem por amor,
elas matam por amor
e morrem por amor"
Guga Ribeiro
PASSOS ESTRANHOS
Estranho esse corre-corre das grandes cidades.
Estranho os passos apressados.
Apressados para que?
Apressados para onde?
Amanhã serão só lembranças,
de calçadas sinuosas,
de paralelepípedos recortados.
Amanhã tudo será transparente.
Nenhum de nós estará mais aqui.
Os calçados serão outros.
As calçadas também.
Pra que a pressa?
O que pretende alcançar?
Se nada será diferente.
Ou uma cova de sete palmos.
Ou cinzas jogadas ao mar.
Guga Ribeiro
Estranho os passos apressados.
Apressados para que?
Apressados para onde?
Amanhã serão só lembranças,
de calçadas sinuosas,
de paralelepípedos recortados.
Amanhã tudo será transparente.
Nenhum de nós estará mais aqui.
Os calçados serão outros.
As calçadas também.
Pra que a pressa?
O que pretende alcançar?
Se nada será diferente.
Ou uma cova de sete palmos.
Ou cinzas jogadas ao mar.
Guga Ribeiro
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
NÃO ESTOU SOZINHO
Não estou sozinho.
Tenho certeza disso.
Existem pessoas que realmente gostam de mim.
Pessoas que me amam de verdade.
Ainda que meu quarto seja silêncio.
Ainda que não exista ninguém para conversar.
Eu não estou sozinho.
Eu sei que um dia vou ter uma vida normal.
Por enquanto não vou desistir.
Não vou desistir de viver.
Estou aprendendo a ser só.
E tentando ser feliz assim.
Mesmo quando tudo fica escuro,
e não consigo dormir.
Não fico mais pensando na escuridão.
Penso que uma hora o sol vai surgir.
E que o dia irá continuar para todos.
E é justamente quando o mundo acorda.
Que eu tenho certeza que tem alguém pensando em mim.
Que eu sou importante para alguém.
Não vou desistir.
Porque eu não estou sozinho.
Não estou.
Guga Ribeiro
Tenho certeza disso.
Existem pessoas que realmente gostam de mim.
Pessoas que me amam de verdade.
Ainda que meu quarto seja silêncio.
Ainda que não exista ninguém para conversar.
Eu não estou sozinho.
Eu sei que um dia vou ter uma vida normal.
Por enquanto não vou desistir.
Não vou desistir de viver.
Estou aprendendo a ser só.
E tentando ser feliz assim.
Mesmo quando tudo fica escuro,
e não consigo dormir.
Não fico mais pensando na escuridão.
Penso que uma hora o sol vai surgir.
E que o dia irá continuar para todos.
E é justamente quando o mundo acorda.
Que eu tenho certeza que tem alguém pensando em mim.
Que eu sou importante para alguém.
Não vou desistir.
Porque eu não estou sozinho.
Não estou.
Guga Ribeiro
AMIGOS
Preciso agradecer a todos vocês.
Preciso realmente disso.
Obrigado!
Sem vocês não teria sobrevivido.
Sem vocês não conseguiria me achar.
Desculpa não ter retribuído da mesma forma.
Desculpa meu egoismo.
Porque sei que vocês também precisavam de minha ajuda.
Agora eu preciso ir.
Preciso realmente partir.
Ainda não acabou.
Prometo que eu vou voltar.
Vou deixar tudo do mesmo jeito.
Da mesma forma,
que vocês deixaram para mim.
Guga Ribeiro
Preciso realmente disso.
Obrigado!
Sem vocês não teria sobrevivido.
Sem vocês não conseguiria me achar.
Desculpa não ter retribuído da mesma forma.
Desculpa meu egoismo.
Porque sei que vocês também precisavam de minha ajuda.
Agora eu preciso ir.
Preciso realmente partir.
Ainda não acabou.
Prometo que eu vou voltar.
Vou deixar tudo do mesmo jeito.
Da mesma forma,
que vocês deixaram para mim.
Guga Ribeiro
domingo, 17 de dezembro de 2017
DOMINGO VAZIO
Meu coração está prestes a parar.
Sinto isso.
Como um domingo vazio.
Como uma sacola de lixo pela metade.
Meu coração vai parar baby.
E só vão me tirar daqui a uns três dias.
Quando o cheiro estiver chegado ao corredor.
Sei muito bem como é isso.
Parentes para reconhecer. Necropsia.
Ao menos uma última punheta.
Ao menos uma última cerveja.
Antes que seja tarde demais.
Guga Ribeiro
Sinto isso.
Como um domingo vazio.
Como uma sacola de lixo pela metade.
Meu coração vai parar baby.
E só vão me tirar daqui a uns três dias.
Quando o cheiro estiver chegado ao corredor.
Sei muito bem como é isso.
Parentes para reconhecer. Necropsia.
Ao menos uma última punheta.
Ao menos uma última cerveja.
Antes que seja tarde demais.
Guga Ribeiro
Esquete: Arte Contemporânea?
Em uma famosa galeria de arte da cidade, um artista expõe sua mais famosa obra: Uma batata inglesa cravejada de pregos. Todos bem vestidos, garçons servindo champanhe e então:
Visitante: Que "peça" bonita! foi o senhor que fez né?
Expositor: Foi. Demorei dois anos para terminar esta obra e me sinto satisfeito com mais este trabalho realizado.
V: O que você pretende com esse trabalho realizado?O que levou a fazê-lo? Sei que não foi uma simples paixão ou uma lembrança vaga de antigamente.
E: Não, Não! Eu me inspirei na vida, no cotidiano, no nosso dia-a-dia. O espírito da vida é amplo e acho que o artista deve retratar o seu momento, o momento das coisas.
Crítico: Impressionante. A cada exposição que eu vou só encontro porcaria. E o que acho mais engraçado é ver a cara de soberba, intelectualidade e arrogância desses... artistas falcatruas.
E: Já sei, deve ser mais um desses críticos de jornalzinho de terceira categoria, que mal sabe escrever. Quanto mais analisar uma obra complexa e introspectiva como essa.
C: Há muito tempo não vejo uma arte séria, que ao menos tenha estética. A crítica social, a crítica ao sistema que nos aliena foi relegada por esses pilantras. Essa arte dita pós-moderna não passa de um nada. Não significa nada e nem pretende significar. É a total desestetização e descaracterização da arte. E você o que acha disso?
V: Bem, eu....
E: Anda, fala logo!
C: Desembucha homem, fala logo o que você acha dessa joça.
Expositor e Crítico: Fala!
V: Já chega, eu vou falar. Eu vim aqui para essa exposição porque minha esposa faz aniversário amanhã e eu preciso comprar algo que seja requintado e fino. E como ela gosta dessas coisas eu vim para cá.
C: Ah! Só podia ser isto. Quem é maluco de achar isso arte?
E: Pois saiba você que com este trabalho eu ganhei o prêmio Salvador Dali de 1998. Que todos os críticos aclamaram minha obra, alegando que ela representa perfeitamente o nosso cotidiano e que milhões de pessoas se identificaram com ela. Assim, fique sabendo você, seu crítico de bosta, que eu faço arte para o mundo e não para um grupinho de pseudo-intelectuais.
C: E desde quando copiar a realidade é arte? Desde quando reproduzir o real é arte? Onde está a subjetividade do artista? Onde está sua criatividade? Isso é mais uma merda que banaliza o real. E digo mais... Essa arte pós-moderna é um reflexo da cultura de massas, do consumismo, fruto do atual processo de globalização. Que não se preocupa mais com o significado. Só se preocupa com signos, imagens. O que vale é o imediato e esse imediato, como sabemos, é descartável e facilmente esquecido. O capitalismo não joga para perder e sua obra é uma mera mercadoria.
V: Eu pensei que....
Expositor e Crítico: Cala a boca!
E: Você é insensível, não é capaz de entender uma obra tão complexa como essa. Seu negócio é falar mal do capitalismo. Que o capitalismo é isso, que o capitalismo é aquilo. Ora você não é capaz de perceber o sentimento do artista, da obra, do trabalho que tive para fazê-la. Além do mais, arte não pode ser definida. Cada um vê a obra de acordo com o que sente. De acordo com aquilo que o traz a realidade. E cá entre nós. Isso eu faço muito bem.
Visitante: Agora quem fala sou eu. Podem abaixar as orelhinhas que agora vocês irão me ouvir. Vocês são dois neuróticos narcisistas...
C: Mas, eu...
V: Cala a boca! Já disse que quando um burro fala, os outros abaixam as orelhas. Vocês são dois egoístas que vivem em um mundinho pequeno burguês. Que nunca subiram um morro para conhecer a realidade da favela. Pobre vocês só vêem no Jornal Nacional e mesmo assim só quando um barraco desaba ou quando o morro está em guerra. Um faz uma arte que só quem tem grana pode adquirir e o outro parece mais um comunista de botequim, que grita palavras de ordem para meia dúzia de bêbados e que nunca fez nada prático para ajudar a comunidade.Os verdadeiros artistas são eles. Esses são os artistas da fome. Que dão nó em pingo d´água para sobreviver. São criativos em sua existência e são os únicos que não deixam nossa cultura morrer. Vocês são acomodados, já sabem o que vai ser do dia de amanhã.
Expositor: Um momento, eu gostaria de...
V: Um momento é o caralho! Cala a boca e senta aí. Como vocês acham que vão educar meus filhos? Com essa conversa fiada? E tem mais... pobre não vai a museu, nem a exposição de merda nenhuma. Então me dá logo esse objeto aí e me diz quanto é.
C: Você tem certeza que vai comprar isto?
V: Isso não é uma mercadoria? Pois então.. Se eu não comprar essa mercadoria fico mal com a patroa em casa.
E: Tá certo! Não estou preocupado em quem vai comprar minha obra. Afinal de contas, mil dólares são mil doláres. Ah! Já ia me esquecer. Quer que embrulhe para presente?
V: Por favor!
Expositor, crítico e visitante: E VOCÊS? O QUE ACHAM DISSO?
Guga Ribeiro.
ZÍPER
Acho que a palavra clichê já virou clichê.
Seria melhor usar o termo zíper.
Sinônimos da mesma árvore genealógica.
Zíper, fecho, braguilha, clichê.
Aquele filme é zíper.
Olha lá aquela roupa tão zíper.
Não me venha você com esse discurso zíper.
Ei, o clichê da sua calça está aberto.
Assim está bem melhor, nada clichê.
Digo, nada zíper.
Guga Ribeiro
Seria melhor usar o termo zíper.
Sinônimos da mesma árvore genealógica.
Zíper, fecho, braguilha, clichê.
Aquele filme é zíper.
Olha lá aquela roupa tão zíper.
Não me venha você com esse discurso zíper.
Ei, o clichê da sua calça está aberto.
Assim está bem melhor, nada clichê.
Digo, nada zíper.
Guga Ribeiro
ESTRELA CADENTE
Quantas vezes olhamos para o céu.
Esperando uma estrela cadente
ou procurando alcançar algum planeta
maior que a lua.
Quantas vezes procuramos aquela estrela brilhante,
pra completar nossa constelação.
Mas estrelas cadentes são como um raio.
E só surgem quando não procuramos.
Quando olhamos para o céu descompromissados.
Assim como quando olhamos para a vida.
E aí minha estrela cadente aparece.
Com uns olhos querendo me cuidar.
Com uma boca querendo me beijar.
E eu consegui me agarrar em seu cabelo,
e segui junto.
Se tiver um fim, vou estar até o final.
Dessa vez não vou voltar do céu.
Dessa vez vou estar junto,
e descobrir onde as estrelas cadentes dormem.
Onde se esconde sua luz.
E aí nossa constelação estará completa.
Nosso planeta será o próximo.
Porque é com você que eu quero estar
quando a lua encostar no mar.
Porque é com você que eu quero estar
quando a luz da estrela cadente se apagar.
Guga Ribeiro
Esperando uma estrela cadente
ou procurando alcançar algum planeta
maior que a lua.
Quantas vezes procuramos aquela estrela brilhante,
pra completar nossa constelação.
Mas estrelas cadentes são como um raio.
E só surgem quando não procuramos.
Quando olhamos para o céu descompromissados.
Assim como quando olhamos para a vida.
E aí minha estrela cadente aparece.
Com uns olhos querendo me cuidar.
Com uma boca querendo me beijar.
E eu consegui me agarrar em seu cabelo,
e segui junto.
Se tiver um fim, vou estar até o final.
Dessa vez não vou voltar do céu.
Dessa vez vou estar junto,
e descobrir onde as estrelas cadentes dormem.
Onde se esconde sua luz.
E aí nossa constelação estará completa.
Nosso planeta será o próximo.
Porque é com você que eu quero estar
quando a lua encostar no mar.
Porque é com você que eu quero estar
quando a luz da estrela cadente se apagar.
Guga Ribeiro
PERDIDOS MAS EM BUSCA DE VIDA
Perdidos no nada, esperando anoitecer.
Refletindo sobre a vida, tentando esquecer a dor.
Na sombra da noite, esperando enlouquecer.
Sentindo que a vida não é só prazer.
Acordar do escuro, viver um dia sem fim.
Tentando gozar o mundo.
E não acreditar em nenhum amor.
E em nenhuma proposta de vida infantil.
Procurar achar a vida.
Que pode estar escondida na sarjeta.
Embriagada de beijos no rosto.
E incapaz de nos oferecer respostas.
Gustavo Ribeiro Alves
Maurílio Lima Botelho
17/06/1999.
Refletindo sobre a vida, tentando esquecer a dor.
Na sombra da noite, esperando enlouquecer.
Sentindo que a vida não é só prazer.
Acordar do escuro, viver um dia sem fim.
Tentando gozar o mundo.
E não acreditar em nenhum amor.
E em nenhuma proposta de vida infantil.
Procurar achar a vida.
Que pode estar escondida na sarjeta.
Embriagada de beijos no rosto.
E incapaz de nos oferecer respostas.
Gustavo Ribeiro Alves
Maurílio Lima Botelho
17/06/1999.
DIA DAS MÃES
Escondido atrás desta janela,
vejo o mundo passar, já não sou mais poeta.
Espero sair dessa solidão.
Dessa angústia vazia, sem o teu perdão.
Caminhando sobre um asfalto marginal,
numa noite de dia das mães, penso...
Quão banal será seu sonho desacreditado?
Quão perversa será a esperança de nosso coração?
Sensível palhaço depressivo.
Escondido atrás desta mesa de botequim.
Embriagado de paixões eternas,
de beijos sonhados e proteção materna.
Escondido atrás desta janela
vejo meus amores passarem, continuo poeta.
Continuo na solidão.
Nessa angústia vazia, mesmo com teu perdão.
Gustavo Ribeiro Alves
09/05/1999
vejo o mundo passar, já não sou mais poeta.
Espero sair dessa solidão.
Dessa angústia vazia, sem o teu perdão.
Caminhando sobre um asfalto marginal,
numa noite de dia das mães, penso...
Quão banal será seu sonho desacreditado?
Quão perversa será a esperança de nosso coração?
Sensível palhaço depressivo.
Escondido atrás desta mesa de botequim.
Embriagado de paixões eternas,
de beijos sonhados e proteção materna.
Escondido atrás desta janela
vejo meus amores passarem, continuo poeta.
Continuo na solidão.
Nessa angústia vazia, mesmo com teu perdão.
Gustavo Ribeiro Alves
09/05/1999
DEUSA DO ARMAGEDOM
Beleza abstrata de nenhuma outra raça,
Deusa do armagedom.
Colírio obscuro, dos poros dos muros,
horizonte do mundo.
Queira não queira, não peça, requeira,
peça por favor.
Me engole, me cospe,
não goste de meu sabor.
Fruta gostosa, um pé de manga rosa que a vida plantou.
Se embora pra praia, se enrosca na areia,
onda que o mar levou.
Andaimes errantes, paqueras sinceras,
pequenas sequelas.
Germina a lua, clareia a rua,
lua toda nua.
Dúvida insegura, tremor da borbulhas,
eloquente paixão.
Musa dos maiores pintores, dos grandes escultores,
de meu coração.
Diva das divindades que o negro inspirou.
Babilônia secreta, suspensa no Jardim de Alah.
Gustavo Ribeiro Alves
Deusa do armagedom.
Colírio obscuro, dos poros dos muros,
horizonte do mundo.
Queira não queira, não peça, requeira,
peça por favor.
Me engole, me cospe,
não goste de meu sabor.
Fruta gostosa, um pé de manga rosa que a vida plantou.
Se embora pra praia, se enrosca na areia,
onda que o mar levou.
Andaimes errantes, paqueras sinceras,
pequenas sequelas.
Germina a lua, clareia a rua,
lua toda nua.
Dúvida insegura, tremor da borbulhas,
eloquente paixão.
Musa dos maiores pintores, dos grandes escultores,
de meu coração.
Diva das divindades que o negro inspirou.
Babilônia secreta, suspensa no Jardim de Alah.
Gustavo Ribeiro Alves
Polainas Velhas
Polainas, velhas polainas.
Faixa na cabeça.
Até parece ridículo.
Mas não era para a gente
e talvez para as pessoas
que viveram aquela época.
Acho que o álcool não se tornou
e provavelmente nunca irá se tornar ridículo.
Independente da época.
De Baudelaire à Bukowski.
Dos egípcios ao Império do século XXI.
Não quero saber da profundidade da vida,
nem do enigma da morte.
Eu quero tudo
que a minha mente puder abrigar.
Não quero desculpas,
copos vazios,
risadas forçadas.
Não quero nada disso.
Vem pra cá meu bem.
Eu sei que as ovelhinhas dormem cedo.
E sei também que você
me faz muito feliz.
Durma agora, durma bem.
Tente se acostumar com o calor
e com os mosquitos.
Tente entender este ébrio que te ama.
E se eu escrevesse uma coisa bonita,
pode ser que você nem saiba.
Pode ser que eu rasgue e jogue fora.
Talvez eu achasse uma merda.
No fundo eu não existo,
nem vejo estrelas
e nem o sol que se põe e nasce
a mais de um bilhão de anos.
Tudo bem!
Que se foda o sol,
que se foda o mar,
o oxigênio e tudo o mais
que necessitamos para viver.
Mas não quero que você se foda.
Eu prefiro fuder com você.
E prefiro que nem leia isto,
porque estou bêbado.
E cú de bêbado,
poesia de bêbado,
não tem dono.
Você também não existe.
Veio lá do sul
e disse que vai casar comigo.
Disse que me ama.
Eu não esqueci de nada.
Não sou artista.
Quero nadar pelado agora.
Parar de escrever.
Terminar de esvaziar este copo.
Talvez gozar de manhã.
E quando fechar os olhos,
não quero sentir aquele cheiro,
de éter dos hospitais.
Fucken Crazy
Faixa na cabeça.
Até parece ridículo.
Mas não era para a gente
e talvez para as pessoas
que viveram aquela época.
Acho que o álcool não se tornou
e provavelmente nunca irá se tornar ridículo.
Independente da época.
De Baudelaire à Bukowski.
Dos egípcios ao Império do século XXI.
Não quero saber da profundidade da vida,
nem do enigma da morte.
Eu quero tudo
que a minha mente puder abrigar.
Não quero desculpas,
copos vazios,
risadas forçadas.
Não quero nada disso.
Vem pra cá meu bem.
Eu sei que as ovelhinhas dormem cedo.
E sei também que você
me faz muito feliz.
Durma agora, durma bem.
Tente se acostumar com o calor
e com os mosquitos.
Tente entender este ébrio que te ama.
E se eu escrevesse uma coisa bonita,
pode ser que você nem saiba.
Pode ser que eu rasgue e jogue fora.
Talvez eu achasse uma merda.
No fundo eu não existo,
nem vejo estrelas
e nem o sol que se põe e nasce
a mais de um bilhão de anos.
Tudo bem!
Que se foda o sol,
que se foda o mar,
o oxigênio e tudo o mais
que necessitamos para viver.
Mas não quero que você se foda.
Eu prefiro fuder com você.
E prefiro que nem leia isto,
porque estou bêbado.
E cú de bêbado,
poesia de bêbado,
não tem dono.
Você também não existe.
Veio lá do sul
e disse que vai casar comigo.
Disse que me ama.
Eu não esqueci de nada.
Não sou artista.
Quero nadar pelado agora.
Parar de escrever.
Terminar de esvaziar este copo.
Talvez gozar de manhã.
E quando fechar os olhos,
não quero sentir aquele cheiro,
de éter dos hospitais.
Fucken Crazy
sábado, 16 de dezembro de 2017
Ensina-me
O instante que ninguém vê.
A bomba silenciosa
que ninguém pressente.
E o final absurdo
que imaginamos ser a morte.
Tudo misturado como arroz e feijão.
Como pés que se procuram
e se misturam com nosso prazer.
O instante que só nós vemos,
mesmo com as luzes apagadas.
E toda preocupação acaba.
Como a sua dor nesses joelhos cansados.
E sonhamos juntos em telas de T.V.
Tudo mudou e não tenho mais enxaquecas
nem insônias, nem remorsos.
Preciso de você porque me faz muito feliz
Porque eu te amo e quero te entender.
O instante que só você vê
e que eu procuro encontrar.
Vou me desdobrar e viver com você o que nunca vivi.
Eu admito...
Ainda sou uma ovelhinha se desgarrando.
Guga Ribeiro.
A bomba silenciosa
que ninguém pressente.
E o final absurdo
que imaginamos ser a morte.
Tudo misturado como arroz e feijão.
Como pés que se procuram
e se misturam com nosso prazer.
O instante que só nós vemos,
mesmo com as luzes apagadas.
E toda preocupação acaba.
Como a sua dor nesses joelhos cansados.
E sonhamos juntos em telas de T.V.
Tudo mudou e não tenho mais enxaquecas
nem insônias, nem remorsos.
Preciso de você porque me faz muito feliz
Porque eu te amo e quero te entender.
O instante que só você vê
e que eu procuro encontrar.
Vou me desdobrar e viver com você o que nunca vivi.
Eu admito...
Ainda sou uma ovelhinha se desgarrando.
Guga Ribeiro.
PORNOGRAFIA
A pornografia é um vício barato, rápido e não contagioso. Quando garoto não era tão barato. Revistas pornôs eram, e acredito que ainda sejam, relativamente caras. Possuíam uma numerosa quantidade de propagandas e de folhas que as vezes ficavam coladas e não voltavam ao lugar. Também não era tão rápida e de fácil acesso. Bom, se você fosse menor de idade tinha que conhecer o jornaleiro do bairro e torcer para que ele tivesse de bom humor e te vendesse uma.
Com o avanço tecnológico das últimas décadas, principalmente no que se refere a internet, constatamos que basta um clique para acessar um conteúdo erótico altamente diversificado. Dependendo da velocidade de conexão, tudo acontece em fração de segundos e a um custo ínfimo, se comparado ao valor das revistas, DVD´S e outras mídias digitais. Grosso modo, o cliente tem acesso a mais variada gama de fetiches e pessoas durante o período de 24 horas ininterruptos, durante os 365 dias do ano. Ademais, com o advento e aperfeiçoamento dos smartphones, a pornografia pode ser acessada em qualquer lugar que possua sinal de rede. No trabalho, na escola, na Igreja, no cinema, na academia, no carro e até mesmo dentro do banheiro de casa, escondido da esposa ou do marido.
A questão crucial se refere ao fato de que esse processo tem gerado diversas consequências nas relações pessoais e, principalmente, gerando uma grande massa de viciados. Isso mesmo, viciados em pornografia. A satisfação sexual é encontrada de forma solitária e toda e qualquer possibilidade de se tentar uma relação sexual com outra pessoa acaba se esvaindo após o clímax. E como uma verdadeira bola de neve descendo a montanha, esse fenômeno vai crescendo, tornando-se incontrolável, tomando, por vezes, uma grande quantidade de horas do seu dia. Sim, você está doente. Mas fique tranquilo, não é contagioso e dificilmente você vai ter uma overdose. Não adianta jogar seu smartphone fora, , quebrar seu computador, dvd, ou qualquer outro tipo de aparato tecnológico. Em uma semana você cai em depressão, como um abstêmio de qualquer outro vício.
A cura, com toda certeza, está em nossa mente, assim como o vício também está. Se soubesse o motivo seria mais fácil. Aliás, se quiséssemos acreditar em todas as respostas mais racionais e convenientes para nós, seria tudo mais fácil. Hoje, decidi escrever, decidi ler " O inverno de nossa desesperança" de John Steinbeck, decidi assistir "Obrigado por fumar". Hoje decidi que não, não vou acessar pornografia. Só por hoje.
Guga Ribeiro.
Ah se eu pudesse...
Ah se eu pudesse...
Escolheria aquela de bom sorriso,
aquela de cabeça boa,
de mini-saia e cordão de couro.
Escolheria a de boa educação,
que divide a conta e transa bem.
Ah se eu pudesse...
Entrelaçaria a mão com a paz
e dormiria tranquilo.
Escolheria a carinhosa, a romântica.
Aquela que sabe ouvir sem gritar.
Ah se eu pudesse...
Não seria apaixonado por aquela doida,
que bebe como um alcoólatra
que transpira pelo olhar
que fala tudo que vem na cabeça
e que só transa por necessidade.
Pouco carinhosa e nada romântica.
Aquela que só faz gritar.
Ah se eu pudesse...
Deixaria a receita de lado.
Deixaria o pneu furar
e a comida agarrar no fundo da panela.
Queimaria a língua e a mão.
Porque ela me ama
e eu amo ela.
Ah se eu pudesse...
Teria feito tudo de novo.
Me mudaria e alugaria um novo apê.
Ficaria com frio debaixo da coberta.
Trabalharia virando massa.
Comeria vina na chapa.
Só para poder estar
perto de você outra vez.
Guga Ribeiro.
Revista debaixo do tapete
- Meu Deus! Este menino está trancado no banheiro de novo. - Disse a mãe.
- Você sabe como é Julieta. Meninos nessa idade são assim mesmo. - respondeu o pai.
- Mamãe olha o que eu achei debaixo do tapete. - Disse a irmã.
Rapidamente o pai responde:
- É uma revistinha de sacanagem. Coisa de garotos.
-Juninho, vai sair do banheiro que horas? - Grita Julieta da cozinha.
- Já estou saindo mãe.
- Eduardo, precisamos levar esse menino ao psicólogo. Você precisa conversar com ele.
- Que nada Julieta, isso passa. Vai ver, daqui a pouco é um rapagão e vai viver enfiado dentro da saia delas.Você vai sentir falta desse tempo. Vai ver Julieta.
Um pequeno rugido e a porta do banheiro se abre. Juninho sai e vai direto para o quarto. Beatriz, a irmã mais velha, fica rindo do irmão. Julieta na cozinha continua fazendo o almoço. Eduardo entra no quarto do meninote e diz:
- Sua mãe está preocupada com você porque sempre demora muito tempo no banheiro. Eu sei meu filho. É normal nessa idade meninos se masturbarem.
Juninho muito perspicaz diz:
-Punheta né pai, você quer dizer punheta.
-Isso meu filho, isso mesmo.
O pai pensativo, olha para Juninho e fala:
- Sua irmã achou uma revista de sacanagem debaixo do tapete.
Juninho imediatamente responde:
- Não é minha pai. Eu juro.
- Eu sei meu filho. A revista é minha. Mas sua mãe jamais poderá saber disso. É um segredo nosso.
-Tudo bem! Você também toca punheta pai?
- Não, sim, é... filho todo homem faz isso. - Reponde Eduardo desconcertado.
- Mesmo na sua idade?
-Sim. Mesmo na minha idade. A diferença é que eu não fico horas no banheiro. Pelo menos não quando vocês estão em casa.
Pai e filho olham entre si e começam a rir.
-Juninho. Presta bem atenção. Eu vou voltar para a sala. Vou mandar sua irmã entregar a revista para você. Vou conversar com sua mãe e dizer que tivemos uma conversa séria e que tudo está resolvido.
- Tá bom pai.
-Ah, Pode ficar com a revista para você. Depois compro outra. Te amo filho.- Disse Eduardo com brilho nos olhos.
- Também te amo pai. - Disse Juninho com ar de admiração.
Guga Ribeiro.
Contracapa
Gosto de ganhar livros com dedicatória.
Gosto mais delas que do livro em si.
Deve ser legal ler as dedicatórias quando chegar a velhice,
se chegar.
Paixões, amigos, poucos amigos,
pessoas que partiram, que brigamos.
Tudo isso fica marcado como uma impressão papilar.
Gosto de comprar discos usados com dedicatórias.
De pessoas que nunca vi e não conheço.
Quando eu morrer quero que meus livros com dedicatória
Sejam vendidos em um sebo qualquer.
Para que algum cretino como eu,
Risque com caneta azul e escreva outra:
Para Gustavo, com carinho.
Guga Ribeiro.
MARIA
É realmente revoltante quando a cerveja acaba e são duas horas da madrugada. Procuro uma garrafa de vinho ou de vodka e descubro que também acabou. Vejo-me impelido a ir ao único bar aberto no centro de Niterói nesse horário. Completamente embriagado dentro do meu quarto, coloco o chinelo e uma camiseta velha. No bolso apenas minha identidade e dentro da cueca vinte cruzeiros, dinheiro suficiente para continuar a me embebedar.
- Puta que o pariu - Eu disse.
- Está chovendo. Foda-se. Vou sair assim mesmo.
Sempre achei guarda chuva uma coisa esquisita. Não tenho mais. Prefiro me molhar a ter que equilibrá-lo em minha mão ou então esquecer em algum lugar que provavelmente não irei lembrar. Ao menos tenho pouco cabelo, o calor do meu corpo seca rapidamente minha blusa e uso chinelo.
- Dessa vez aquela maldita poça não vai me pegar e deixar minha meia completamente encharcada - Pensei.
O nome do botequim é comer-comer. Deviam mudar a porra do nome para beber-beber. Antro de cachaceiros, putas, viciados e de caras que brigavam com a esposa e não tinham para onde ir. Talvez esteja no primeiro tipo: o dos cachaceiros. Embora não goste de cachaça, acho alcoólatra uma palavra muito forte. Sempre vi o alcoólatra como aquele indivíduo que fica na porta do bar esperando abrir para poder tomar a primeira dose ou então aquele camarada que fica caído no meio da rua de tão bêbado.
Tirando o público pagante, a sujeira e o mesmo disco cretino que ficava tocando repetidamente durante toda a noite, poderia dizer que o buteco oferece uma cerveja muito gelada que é servida por uma chinesa chamada Maria. A única coisa verdadeiramente boa naquela espelunca era ela. Sabe, nunca comi uma oriental. Decidi que não poderia morrer sem antes ter transado com ao menos uma.
Maria me vendeu um salgado pela metade do preço. Havia me sobrado pouco.
- Tudo bem, me dá o que restou. Não vai ficar sem comer esse salgado velho por causa de uns miseros centavos - Ela disse.
Com certa dificuldade consegui compreender o que Maria havia dito, devido ao seu forte sotaque chinês.
Antes de ir embora ainda consegui ver um jovem bêbado beijar uma velha banguela. Não o condeno por isso. As banguelas fazem o melhor boquete do mundo. Pode ter certeza disto. Já sabia qual era o plano do rapaz para o fim de noite. Também pude ver um velho parar seu carro em frente ao bar. O desgraçado estava tão bêbado que não conseguia sair do automóvel.
- Mas que belo filho da puta - Resmunguei.
Depois de uns quinze minutos ele conseguiu sair, ileso e com uma garrafa de cachaça vazia debaixo do braço.
O melhor ou pior da noite, sei lá, ainda estava por vir. Tinha um homem, de aproximadamente cinquenta anos de idade, sentado em uma mesa completamente ébrio. De repente quatro putas sentam em sua mesa e começam a pedir comida e bebida. O sujeito paga. Pedem cigarro e whisky. O tio paga. Daí o homem diz bem alto:
- Quero passar a mão na bucetinha das quatro.
Todas riem da situação e concordam imediatamente. Então o indivíduo consegue se levantar da mesa lentamente e começa a passar a mão na buceta de cada uma. Bem devagar e com um sorriso de imensa felicidade. No final lambeu os dedos e depois gritou:
- Isso que é vida porra!
Observei tudo da minha mesa. Inclusive a buceta delas.
Pouco tempo depois fui embora. A chuva já havia passado. Estava a apenas duas quadras do meu quarto. Cheguei menos bêbado que antes. Deve ter sido por causa do salgado e das duas vezes que vomitei no caminho de volta. Liguei para Michele, minha puta favorita. A campainha tocou. Trepamos por uma hora. Ela ficou agradecida por tê-la deixado tomar um banho e por ter dado 10 cruzeiros a mais do que de costume. Michele era apaixonada por mim. Tenho total certeza disso. Fechei a porta, consegui colocar o relógio para despertar e dormi um sono sincero. Sabia que precisava acordar às 8 horas para buscar minha filha de treze anos no terminal rodoviário. Era meu fim de semana com ela.
Acordei ainda meio embriagado, coloquei meus pés no chão ao lado da cama e senti pisar em uma gosma verde no chão. Havia vomitado no pé da cama durante a madrugada.
- Que grande Merda você fez seu cretino de bosta. Agora vou ter que limpar isso tudo antes da minha filha chegar. Merda!- Esbravejei.
Minha cabeça estava explodindo. Não conseguia nem falar. Rastejava pela casa como um doente em estado terminal. Uma das piores coisas da ressaca é ter que fazer alguma coisa no dia seguinte e pior ainda é ter que gastar energia arrumando ou limpando alguma coisa.Catei as camisinhas, joguei fora o lixo, arrumei a cama e limpei a cagada que havia feito. Bebi água e vomitei de novo. Já sabia a ordem de tudo. Então tomei um analgésico para a dor de cabeça, entrei no chuveiro e fui buscar minha garotinha.
Guga Ribeiro.
domingo, 26 de novembro de 2017
AUSÊNCIA
Eu nunca fui bandido,
mas já fiz muita coisa errada.
Eu nunca fui ganancioso,
mas já guardei dinheiro.
Eu não matei minha mãe.
Eu não matei ninguém.
Eu só queria sua aprovação.
Uma palavra amiga, um abraço com amor.
Eu nunca precisei ser sustentado,
sempre me virei sozinho.
No fundo, sempre fui sozinho.
Não guardo mágoas, arrependimentos.
Você poderia ao menos ter brincado uma vez comigo.
Tudo bem!
Eu brinco com meus filhos,
abraço eles com amor,
e digo que os amo.
Guga Ribeiro
mas já fiz muita coisa errada.
Eu nunca fui ganancioso,
mas já guardei dinheiro.
Eu não matei minha mãe.
Eu não matei ninguém.
Eu só queria sua aprovação.
Uma palavra amiga, um abraço com amor.
Eu nunca precisei ser sustentado,
sempre me virei sozinho.
No fundo, sempre fui sozinho.
Não guardo mágoas, arrependimentos.
Você poderia ao menos ter brincado uma vez comigo.
Tudo bem!
Eu brinco com meus filhos,
abraço eles com amor,
e digo que os amo.
Guga Ribeiro
sábado, 11 de novembro de 2017
ERA LOGO ALI
Meu namorado morava a três quadras da minha casa.
Primeira quadra à esquerda, segunda à direita, esquerda de novo.
Um muro branco com um portão pequeno enferrujado.
Ficavamos ali na sala comendo biscoito, bebendo café e vendo novela.
A mãe dele não piscava o olho.
Depois dizia que ia dormir.
Eu? Virava os olhinhos no sofá mesmo.
Depois ia embora.
Primeira quadra à direita, segunda à esquerda, direita de novo.
Era logo ali.
Guga Ribeiro.
Primeira quadra à esquerda, segunda à direita, esquerda de novo.
Um muro branco com um portão pequeno enferrujado.
Ficavamos ali na sala comendo biscoito, bebendo café e vendo novela.
A mãe dele não piscava o olho.
Depois dizia que ia dormir.
Eu? Virava os olhinhos no sofá mesmo.
Depois ia embora.
Primeira quadra à direita, segunda à esquerda, direita de novo.
Era logo ali.
Guga Ribeiro.
VOCÊ É LOUCA
I
Eu disse que ela é louca. Ela disse que louco era eu. A temperatura do ar em nada interferiu. Primeiro tomávamos as pilulas azuis, junto com uma boa dose de cerveja barata. Ficava tudo bem. Ela colocava um desses filmes idiotas e comerciais de suspense. Eu gostava de ficar do seu lado. Mas ela não era daquelas que te segura com medo das cenas em que a criança gira a cabeça. Não! Acho que ela arrancaria a cabeça da criança, colocaria sal grosso e botaria sete velas do lado. Como que para mostrar ao diretor que aquilo não a assustava. As vezes faziamos amor na sala, no sofá, depois no chão. Como dois velocistas de cem metros rasos. Espreitando o momento em que Peter Pan fugiria do quarto de pijama e fosse procurar alento em outro aposento.
Eu dizia que ela era louca. Ela dizia que o louco era eu. O ar estava muito quente, típico do maldito verão daqui. Gostavamos de encher a cara, ao som do mais autêntico rock n roll. Depois caiamos na porrada, nos ofendiamos por motivos fúteis. Motivos que frequentemente eu esquecia, mas ela não. Não havia deixado de ser mulher. Por mais que estivesses com duas luvas cada, lutando em categorias diferentes. Nunca deixou de ser uma fêmea, uma fêmea alfa. E como era bom poder dominar uma fêmea alfa. Sentir toda aquela força, todo aquele poder, toda aquela superioridade, subjugada através de dois corpos nús. Com meu peso sobre seu corpo, com meu cheiro em sua pele e com meu sêmen embrenhado em seu sexo.
Ela era louca mesmo. Certa vez brigamos feio. Estavamos completamente bêbados, como de costume. Apaguei no sofá da sala e ainda que pudesse ouvir seus xingamentos, não possuia força para me levantar. Acordei no dia seguinte. Percebi que ela estava dormindo tranquilamente em nossa cama. Nosso filho já estava acordado vendo seu desenho no quarto. Pensei: " Está tudo bem". Então sai para comprar pão e uma coca-cola para a ressaca. Foi então que pude ver nosso carro estacionado perfeitamente e com uma parte da frente completamente destruida. Eu disse: " Puta que o pariu. Caralho. O que essa filha da puta aprontou dessa vez? Ela destruiu o carro".
Quando digo que ela é louca não é brincadeira. Ela não tinha habilitação, mas até aí não importa, porque eu também não tenho mais. O que importa é que ela não sabia dirigir. Era uma suicida em potencial, uma espécie de Kurt Kobain sem heroína. Até tentei ensiná-la a dirigir. Tive muita paciência. Moravamos no interior de uma pequena cidade relativamente perto da capital. Sabia que naquelas ruas de barro, naquele semi deserto marítimo as coisas poderiam ser controladas. Pensei que o máximo que poderia acontecer era que ela atropelasse um cachorro distraído, quebrasse a caixa de marcha do velho carro ou até que xingasse , batesse no volante e desistisse. Ela não é daquelas que desistem de uma coisa facilmente. Estava feliz, ela conseguia fazer o carro andar, embora sua mão estivesse dura como concreto, ela conseguia fazer uma curva sutilmente sem que o carro morresse. "Já está bom por hoje" - Eu disse. Fato que ela concordou de pronto. Sabe aquele jogo que parece ganho, que a torcida adversária já está indo embora do estádio e que aos 45 minutos do segundo tempo você leva um gol inesperado, dentro do seu próprio estádio. O portão de entrada da casa se despedaçou. Embora de uma madeira forte, foi inevitável a destruição. Parecia que um ariete tivesse dado seu último golpe para que as forças de Mordor entrassem no Castelo. Nosso cachorro conseguiu se salvar e por pouco não fora atingido, levando-se em consideração que sua casinha ficava a poucos metros do portão. Ele olhava apavorado de dentro de seu humilde lar, adquirido recentemente , após uma promoção imperdível de casinhas caninas. Alguns pedaços de madeira chegaram a atingir sua morada, mas nada que tivesse abalado seu amor por sua dona. Saiu devagar, pisando em ovos, viu que sua mãe de criação chorava copiosamente e então tentou-lhe dar um pouco de afeto, quieto, do seu jeito, apenas ouvindo.
Confesso que devemos aprender com os cães. Eu, depois que verifiquei não haverem mortos e feridos, comecei a pensar no preço de um novo portão, no preço do conserto do carro e esperava que a notícia não chegasse ao senhorio, que frequentemente fazia visitas surpresas, para saber se sua casa não havia virado um bar, um sanatório ou uma prisão. De certo que ele nunca se atreveu a entrar sem permissão. Não que não tivesse coragem ou fosse abusado o suficiente para isso. É que NEGÃO jamais permitiria a entrada de ninguém que não fosse da família. Alias, todos o temiam, com exceção de nós que os amávamos.
Negão passou a ser o nome social de nosso cachorro. Seu nome de batismo era SONECA, cuja história sempre me comoveu e sempre me trouxe grande remorso.
II
Era um verão de Dezembro quando ele apareceu no quintal de casa. Tinha poucos dias de nascido. Sua pele colava no estômago, seus olhos estavam cheios de remela. Sabia que não iria durar muito tempo naquelas condições. Dei-lhe um banho, água e comida. Fiz uma pequena cama para que ao menos pudesse descansar um pouco em algum lugar limpo. Minha idéia era simples: Ele se alimentava, descansava e depois seguiria sua jornada sozinho, como um viajante que acabará de chegar de uma exaustiva caminhada. Acontece que ele não era um cão adulto. Era um recém nascido. E meu coração não permitiu que o deixasse partir. E assim ele foi ficando, crescendo e se tornando cada dia mais feliz. Uma vez quando sai de casa para ir ao mercado vi que a mãe biológica dele estava misturada com seus outros filhotinhos no meio de uma lixeira a céu aberto, na favela que morava no início dos anos 2000. Após um ano consegui deixar aquele lugar insalubre, depois de saber que traficantes utilizavam a laje do barraco que morava para fazer posto de observação e rota de fuga.
Soneca veio comigo. Me juntei, pouco tempo depois, e tive uma filha linda. Dessa vez a casa era ampla, tinha um quintal gramado maravilhoso, fato que fez soneca gastar muita energia caçando gambás, pássaros, lagartos e aprendendo truques, como pular muros altos, parecia um gato. Quando uma fêmea entrava no cio ele desaparecia por uns três dias e voltava como quem tivesse voltado de uma batalha - sujo, cansado e faminto. Algum tempo depois vi algumas fêmeas prenhas e depois percebia que os filhotes só poderiam ser dele. Soneca era um cão vira-lata de pelo negro com algumas mechas marrons no peito, no fuço e na cauda. Não era o tipo de pretendente que a família de uma cadela distinta poderia querer. Era um tipo de cão boêmio, que adorava vagabundear pelas ruas durante a noite, vivia se metendo em brigas com guildas de cães de rua. Sempre fora valente e era capaz de encarar o mais forte dos cães. Acontece que com covardia não há valentia que resista. E, normalmente, ele era atacado por todo o grupo de cães e voltava para a casa severamente machucado. Eu cuidava dele como um pai orgulhoso, porque seu filho não fugiu da luta, mas o repreendia porque não queria ter filho valentão. As cadelas eram apaixonadas por ele, confirmando a teoria que fêmeas gostam de desafios, odeiam a normalidade típica de cães engomadinhos e corretos e admiram a intensidade do desejo oferecido por cães vadios. Isso me trouxe um grande problema ,quando soube pelo vizinho que Soneca havia pulado o muro de dois metros da casa dele e conseguiu cruzar com sua cadela fêmea, que lógico, estava no cio. Era uma cadela linda, de raça, diria que se fosse humana seria o equivalente a uma Duquesa Dinamarquesa. Os filhotes nasceram lindos, mestiços, o focinho do pai. Nos mudamos dali pouco tempo depois, certo de que o proprietário da cadela de raça colocaria veneno e mataria ele assim que possível.
Mas não mudei por conta disso. Era egoísta demais para tal. Consegui o financiamento de um imóvel. Dessa vez conseguiria sair do aluguel e por fim nessa relação altamente intempestiva com meus senhorios. Aquele corretor de imóvel era um belo filho da puta. Alias, difícil o que não o seja. Você precisa dizer que um lugar cheio de mosquitos, bosta de vaca, alcólatras e animais peçonhentos pareça um paraíso. Quanto aos alcólatras já estava habituado. Enchiam meu saco até eu conseguir ficar o suficientemente bêbado, depois pouco importava o que eles diziam. A foda era ter que andar trinta minutos até chegar a uma porcaria de um ponto de ônibus no meio de uma estrada entre o fim do nada e o início de porra nenhuma. Quando chovia meus sapatos ficavam da cor da minha pele, que era da mesma cor da calça que vestia e que só se diferenciava da blusa, único lugar que conseguia escapar da lama. Isso se eu tivesse sorte de que algum filho da puta passasse em alta velocidade jogando várias poças em cima de mim. Normalmente na volta do trabalho era agraciado com grandes pulos do Soneca, feliz por eu ter chegado em casa mais cedo e com um saco de ração na mão. Sua felicidade era tanta que gostava de deixar esses momentos marcados com suas patinhas desenhadas na minha camisa branca, que costumava comprar naquelas promoções das lojas americanas. Era uma porcaria de uma camisa que encolhia na segunda lavada. Vinham três camisas dentro de um mesmo plástico. Comprava tamanho G porque sabia que iria se transformar em P em pouco tempo. Ficava esticando a base da camisa para que não chegasse perto do umbigo. Costumavam ser estilizadas, após algum tempo, com alguns buraquinhos feitos por aquelas malditas traças que residiam naquele armário de cor marfim que comprei em uma infindável prestação nas Casas Bahia. Odiava aquele maldito carnê. Ficava olhando para a cara daquele boneco com chapéu de cangaceiro. Dizia: " filhos da puta, da próxima vez vendam um armário que não seja da cor marfim ou mogno e que não desmonte na próxima mudança.".
Graças a Deus entrei para o rol dos maus pagadores. Entrava na fila do crediário, ficava esperando aquelas mulheres, que quando conseguiam trepar só faziam papai e mamãe, analisarem minha ficha e, ao final de todo o esplendoroso processo eu ouvia: "sua ficha não foi aprovada". Fingindo se tratar de um grande equivoco, fazia uma expressão de surpresa e dizia: "não pode ser, deve ter havido algum erro. Aqueles ordinários das lojas americanas devem ter descontado o cheque antes do combinado. Só pode ser isso." É claro que para não deixar de ser clichê, como o papai e mamãe de sábado a noite, ela dizia: " Sinto muito senhor". Ela não sentia absolutamente nada. Dizia isso para dezenas de pessoas durante todo o dia. Se ela realmente sentisse alguma coisa me pagaria um boquete no fim do expediente.
Minha mudança para esse lugar bucólico que o corretor me convenceu a imaginar que era Oz, culminou com o fim de meu primeiro casamento no verão de 2007. Minha filha, que já tinha dois anos e meio, foi embora com a mãe. Eu fiquei morando por um tempo com Soneca. Alguns meses depois vendi toda a mobília e voltei a morar com meus pais. Infelizmente meus pais não aceitaram que Soneca viesse morar no apartamento deles e não fui homem suficiente para alugar um barraco e levar meu nobre amigo comigo. Nenhum de meus conhecidos podia ficar com ele. Sabia que a responsabilidade era minha. Duas vezes por semana dormia na minha casa, mesmo sem nenhuma mobília, havia deixado apenas um colchão na sala. Chegava do trabalho, trocava a água dele, colocava ração e deixava ele dormir comigo no colchão dentro de casa. Durante esse tempo em que estive bem ausente, Soneca arrumou um novo amigo. Era um senhor que vendia frutas no vilarejo. Chegava do trabalho e ele já não estava mais no quintal. Seu prato de ração estava cheio. Trocava mesmo assim. Sentia falta dele, mas sabia que era ele quem sentia mais falta de mim. Então andava pela vizinhança a sua procura e as vezes o encontrava perambulando pela rua. Não havia um muro que não pudesse pular, era um exímio atleta. Retornei durante todo aquele mês. Duas vezes por semana. Percebi que sua comida e água estavam sempre intactos. Percebi que Soneca não voltaria mais para casa., porque na verdade eu o havia abandonado. O fruteiro era seu novo amigo, era quem cuidava dele agora, pelo menos era o que os matutos me diziam. Mesmo assim continuei indo lá, na esperança de vê-lo novamente. Tempo depois um vizinho me disse que ele havia sido atropelado na estrada e que havia morrido. Jamais acreditei nessa história, porque ele sabia escalar qualquer muro.
Guga Ribeiro
Guga Ribeiro
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
ODOR
Sinto o cheiro do perfume que te dei
Sinto o hálito de cerveja barata
Não me diga que não sabe
Ninguém ganhou na loteria
Ninguém pediu bife no almoço
Lembro bem daquela sardinha maldita
Que cozinhei pra você quando era virgem
Esquece...
Prometo não usar cueca furada
E não devolver a colher do café na pia da cozinha.
Guga Ribeiro
domingo, 15 de outubro de 2017
SOA COMO UMA VELHA CANÇÃO
Há garotas que sabem dar o melhor de si, que se permitem trazer uma sacola de papel com um verdadeiro tesouro: vodca decente, pão francês, cigarros e balas de hortelã, e também comprimidos para a ressaca. Elas sabem que você é um prisioneiro e não um paspalho que se faz passar por artista, e se não sabem, pelo menos fingem com graça.
Garotas que ajudam a enxotar o cara do aluguel, que pegam a correspondência e jogam fora sem abrir porque são espertas, sabe que gente como você não recebe cheques de fundações, revistas nem cartões de natal, que o mundo lá fora só quer encher seu saco. Elas não dizem que você é infiel, dizem que você se vira como pode.
Garotas que coçam as suas costas e não fazem perguntas inúteis porque não querem mentiras inúteis. Garotas que qualquer um, menos você, poderia amar e com isso estragar. Elas não precisam de um marido ciumento, não querem o yuppie amável que rala a bunda para ganhar umas migalhas. Elas se entregam ao prisioneiro, ao cara que bate a porta e apaga esse mundo nojento com seus poetas sob medida e suas putinhas honoráveis. Garotas capazes de limpar a persiana sem fazer comentários, que sabem quando é hora de ir embora e que jamais levarão uma estúpida flor ao seu túmulo.
Brindo a elas.
Efraim Medina Reyes (Pistoleiros/ Putas e Dementes)
Vou me embora para Curitiba,
Lá irão me conseguir um emprego,
desses bem fodidos mesmo.
Mas é bom que o tempo passa voando,
e o cansaço será tão grande
que não terei tempo para lamurias escrotas,
dessa porra de baboseira de solidão e tristeza.
Fico puto quando a cerveja acaba na geladeira
e são três horas da manhã
e os bares já fecharam.
Tenho certeza que lá irão me arrumar um emprego.
Gustavo Ribeiro Alves
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
TODOS IGUAIS
TODOS IGUAIS
Ninguém quer ver tudo igual.
Acho tolo quem se acha diferente.
Ninguém toma banho de roupa se não estiver bêbado.
Ninguém caga na tampa da privada se não estiver dormindo.
Ninguém está salvo da morte.
Você tem medo de ser igual.
De peidar escondido.
De se masturbar intermináveis vezes quando ninguém está em casa.
Todo mundo querendo ser diferente,
com seus pares de sapatos inúteis, seus vestidos cretinos,
suas tatuagens e piercing nos mamilos.
Todos homo sapiens sapiens.
Todos animais exóticos e selvagens.
Que cagam, trepam, comem, dormem, acordam,
choram, riem, matam, amam e morrem.
Todos iguais, todos exatamente iguais.
Fucken Crazy
Ninguém quer ver tudo igual.
Acho tolo quem se acha diferente.
Ninguém toma banho de roupa se não estiver bêbado.
Ninguém caga na tampa da privada se não estiver dormindo.
Ninguém está salvo da morte.
Você tem medo de ser igual.
De peidar escondido.
De se masturbar intermináveis vezes quando ninguém está em casa.
Todo mundo querendo ser diferente,
com seus pares de sapatos inúteis, seus vestidos cretinos,
suas tatuagens e piercing nos mamilos.
Todos homo sapiens sapiens.
Todos animais exóticos e selvagens.
Que cagam, trepam, comem, dormem, acordam,
choram, riem, matam, amam e morrem.
Todos iguais, todos exatamente iguais.
Fucken Crazy
MATRIMÔNIO
MATRIMÔNIO
Eu nunca tive noiva,
Já juntei, já casei também.
Tive poucas namoradas.
De fulana me lembro os dentes separados,
De sicrana me lembro do cheiro de talco no pescoço.
Não me lembro das calcinhas, das unhas e dos escapulários.
Lembro bem dos mamilos,
do sexo, com ou sem cabelo,
dos lábios finos ou carnudos.
Mas jamais esquecerei,
Daquela água fervendo que cai nas costas após o êxtase.
Daquele lençol barato de motel.
Daquele cinzeiro cinza,
e do cheiro de mofo na cortina.
Quando era moço preferia os beliches, as camas de solteiro.
Gostava do parque, da praça, do cinema... mudo.
Passava o dia sem lavar as mãos,
Pra poder sentir o cheiro de buceta no dedo.
Eu nunca tive noiva,
juntei, casei e até namorei.
Mas o ue sempre mais gostava,
era quando meus lábios tocavam aquele colarinho branco,
quando sentia aquele néctar descer a garganta.
O mundo podia parar ali.
Garçom! mais um chopp por favor.
Gustavo Ribeiro Alves
Eu nunca tive noiva,
Já juntei, já casei também.
Tive poucas namoradas.
De fulana me lembro os dentes separados,
De sicrana me lembro do cheiro de talco no pescoço.
Não me lembro das calcinhas, das unhas e dos escapulários.
Lembro bem dos mamilos,
do sexo, com ou sem cabelo,
dos lábios finos ou carnudos.
Mas jamais esquecerei,
Daquela água fervendo que cai nas costas após o êxtase.
Daquele lençol barato de motel.
Daquele cinzeiro cinza,
e do cheiro de mofo na cortina.
Quando era moço preferia os beliches, as camas de solteiro.
Gostava do parque, da praça, do cinema... mudo.
Passava o dia sem lavar as mãos,
Pra poder sentir o cheiro de buceta no dedo.
Eu nunca tive noiva,
juntei, casei e até namorei.
Mas o ue sempre mais gostava,
era quando meus lábios tocavam aquele colarinho branco,
quando sentia aquele néctar descer a garganta.
O mundo podia parar ali.
Garçom! mais um chopp por favor.
Gustavo Ribeiro Alves
SLUT
SLUT
Abre-te as ancas ,
Com a lascívia de um açougueiro que desfia o primeiro peso.
Joga-te de cara na parede
E coloca-te o falo pulsante,
Que desliza nesse oceano encharcado.
Repete o compasso de uma Maria Fumaça,
Café com pau, café com pau.
Puxa-te o cabelo,
E sentes a respiração ofegante ao pé do ouvido.
Misturada com palavras de baixo calão,
Que você sempre fingiu não gostar.
E suada como uma cerveja que saiu do congelador,
Espera o momento de ser sugada
e regojizar, naquele sofá da liquidação.
Fucken Crazy
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Perdas
Quantas letras serão precisas para resumir a dor de não poder te ver mais? Para tirar de minhas costas tudo que juntei pela estrada. Quem teme o mal quando se está feliz? Quem teme a morte quando o riso se espalha na mesa? Terei que me conformar em ver seu rosto ao nascer do sol no meio da baía. Talvez nunca vá entender, afinal nunca fui bom em partidas, apenas chegadas. E as escolhas de que me assenhorei, que valem não mais que recordações em álbuns que não consigo imprimir. É de apertar o coração essas partidas, sejam definitivas, sejam temporárias ou casuais, são partidas. De quem nos afeiçoamos por querer, de quem apenas esperamos um sorriso sincero, de quem olha com a profundidade de um espelho de água de 4 mil metros. E é lá que estou, bem no meio de duas falhas, pronto para cair em uma fossa abissal e desaparecer na escuridão. Virar um ser de fotoluminescência, estranho e raro, como quem ainda não consegue entender que essa simplicidade da vida, por melhor que seja, ainda não mostrou o caminho de casa. Porque a casa não existe, porque os sonhos não existem, porque a vida perece, porque as letras se apagam, assim como as lágrimas secam e o dia termina de algum jeito.
Gustavo (Guga - Fucking Crazy)
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