Esses dias demoraram tanto a passar.
E hoje, mesmo ainda, havia dúvida quanto a tudo.
Então segui a estrada em uma velocidade constante.
E o que consigo ver daqui de dentro, são apenas pontos de luz em meio a escuridão.
E em meio a tudo que fomos...
E em meio a tudo que fizemos...
Foi plantada uma semente.
Que germinou e se transformou em um lindo rapaz.
De sorriso malicioso e mãos grossas.
Um rapaz mais sincero que uma alma pode permitir.
Mais puro que a primeira gota de orvalho pela manhã.
Vale muito a pena sentir as rodas do ônibus rodarem na estrada.
Vale muito a pena procurar uma posição aconchegante no assento durante a madrugada.
Vale o café do meio da estrada.
Vale a geada, valem as pernas dormentes,
O canto da cigarra e a terra molhada.
Porque não importa o caminho.
Não importa o que passou.
Quando sei que o meu destino,
Será olhar sua alegria.
Será ver seu sorriso tímido.
Poder te pegar no colo e te abraçar.
Sentir seu cheiro e poder dizer
Que o papai te ama
E que sua irmã está te esperando lá em casa para a gente brincar.
Guga Ribeiro
Vivo em um pequeno planeta, em uma galáxia chamada via láctea . Ainda quero conhecer os planetas das 4 bilhões de galáxias que o universo abriga. Não tenho muito tempo pra isso. Caminho na velocidade da luz. Os sonhos tem sido mais velozes e o amor me faz ter paciência pra esperar nosso disco voador.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
PARA TI
Agora sabe que essa é para você.
Para seu sorriso lindo,
e sua risada inesquecível.
Para seu ombro largo
e suas duras mãos.
Ninguém sofre por querer.
Ninguém ama por querer.
Caminhamos sob o luar,
na orla mais bonita.
Observamos o reflexo dos pescadores.
Daqueles mesmos, feitos de marfim.
Deixo cair comida na roupa.
Deixo minha roupa cair sobre ti.
Espero sempre seus olhos.
Olharem para dentro de mim.
Guga Ribeiro.
Para seu sorriso lindo,
e sua risada inesquecível.
Para seu ombro largo
e suas duras mãos.
Ninguém sofre por querer.
Ninguém ama por querer.
Caminhamos sob o luar,
na orla mais bonita.
Observamos o reflexo dos pescadores.
Daqueles mesmos, feitos de marfim.
Deixo cair comida na roupa.
Deixo minha roupa cair sobre ti.
Espero sempre seus olhos.
Olharem para dentro de mim.
Guga Ribeiro.
BIGODE
Eu?
Nem tinha Cantinflas bigode.
Nem Chaplin nasceu assim.
Ninguém esperava por nada.
Nem Kurt, Nem Cornel, Nem Renato.
Sabiam de tudo, cansados de tudo.
Do previsível, da chatice.
Das frases feitas, dos ideais perfeitos.
Um saco, Um porre.
Uma baboseira para nada.
Talvez para Rousseau, Gandhi, Dali.
Para mim nada, nada mesmo.
A roda gira.
A lua morre todo dia.
O sol também.
E Nós, mais rápido ainda.
Guga Ribeiro
Nem tinha Cantinflas bigode.
Nem Chaplin nasceu assim.
Ninguém esperava por nada.
Nem Kurt, Nem Cornel, Nem Renato.
Sabiam de tudo, cansados de tudo.
Do previsível, da chatice.
Das frases feitas, dos ideais perfeitos.
Um saco, Um porre.
Uma baboseira para nada.
Talvez para Rousseau, Gandhi, Dali.
Para mim nada, nada mesmo.
A roda gira.
A lua morre todo dia.
O sol também.
E Nós, mais rápido ainda.
Guga Ribeiro
VIVO
E se tudo isso fosse um sonho.
Que seria de nós, de nossos planos.
Que seria da grama do jardim,
das crianças brincando escondido.
Que seria do cachorro abanando o rabo.
E se tudo acabasse hoje.
Como quem se despede de um bar.
Esperando acordar no outro dia.
E esse dia nunca chegar.
Não te iludas com o que não conhece.
Não te iludas com o livre pensar.
Toda paz derradeira alegria.
Que descobre a arte de amar.
Que descobre a torpeza da vida.
Que descobre a beleza de estar.
Vivo.
Guga Ribeiro
Que seria de nós, de nossos planos.
Que seria da grama do jardim,
das crianças brincando escondido.
Que seria do cachorro abanando o rabo.
E se tudo acabasse hoje.
Como quem se despede de um bar.
Esperando acordar no outro dia.
E esse dia nunca chegar.
Não te iludas com o que não conhece.
Não te iludas com o livre pensar.
Toda paz derradeira alegria.
Que descobre a arte de amar.
Que descobre a torpeza da vida.
Que descobre a beleza de estar.
Vivo.
Guga Ribeiro
LIEBE
"Sie sehnen sich nach Liebe,
sie leben für die liebe,
sie töten für die liebe
und sie sterben für die Liebe"
Amar, verbo.
Amo, também.
Tudo disfarce.
Amando, gerúndio.
Amei, pretérito perfeito.
Nada perfeito.
Tudo Errado.
Ninguém ama, todos mentem.
Mentem para tudo, para Nós,
Eu, Tu, Eles.
Mentem como verbo,
como substantivo, adjetivo, advérbio.
Ai, que bom que seria.
Poder amar em alemão.
"Elas anseiam por amor,
vivem por amor,
elas matam por amor
e morrem por amor"
Guga Ribeiro
sie leben für die liebe,
sie töten für die liebe
und sie sterben für die Liebe"
Amar, verbo.
Amo, também.
Tudo disfarce.
Amando, gerúndio.
Amei, pretérito perfeito.
Nada perfeito.
Tudo Errado.
Ninguém ama, todos mentem.
Mentem para tudo, para Nós,
Eu, Tu, Eles.
Mentem como verbo,
como substantivo, adjetivo, advérbio.
Ai, que bom que seria.
Poder amar em alemão.
"Elas anseiam por amor,
vivem por amor,
elas matam por amor
e morrem por amor"
Guga Ribeiro
PASSOS ESTRANHOS
Estranho esse corre-corre das grandes cidades.
Estranho os passos apressados.
Apressados para que?
Apressados para onde?
Amanhã serão só lembranças,
de calçadas sinuosas,
de paralelepípedos recortados.
Amanhã tudo será transparente.
Nenhum de nós estará mais aqui.
Os calçados serão outros.
As calçadas também.
Pra que a pressa?
O que pretende alcançar?
Se nada será diferente.
Ou uma cova de sete palmos.
Ou cinzas jogadas ao mar.
Guga Ribeiro
Estranho os passos apressados.
Apressados para que?
Apressados para onde?
Amanhã serão só lembranças,
de calçadas sinuosas,
de paralelepípedos recortados.
Amanhã tudo será transparente.
Nenhum de nós estará mais aqui.
Os calçados serão outros.
As calçadas também.
Pra que a pressa?
O que pretende alcançar?
Se nada será diferente.
Ou uma cova de sete palmos.
Ou cinzas jogadas ao mar.
Guga Ribeiro
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
NÃO ESTOU SOZINHO
Não estou sozinho.
Tenho certeza disso.
Existem pessoas que realmente gostam de mim.
Pessoas que me amam de verdade.
Ainda que meu quarto seja silêncio.
Ainda que não exista ninguém para conversar.
Eu não estou sozinho.
Eu sei que um dia vou ter uma vida normal.
Por enquanto não vou desistir.
Não vou desistir de viver.
Estou aprendendo a ser só.
E tentando ser feliz assim.
Mesmo quando tudo fica escuro,
e não consigo dormir.
Não fico mais pensando na escuridão.
Penso que uma hora o sol vai surgir.
E que o dia irá continuar para todos.
E é justamente quando o mundo acorda.
Que eu tenho certeza que tem alguém pensando em mim.
Que eu sou importante para alguém.
Não vou desistir.
Porque eu não estou sozinho.
Não estou.
Guga Ribeiro
Tenho certeza disso.
Existem pessoas que realmente gostam de mim.
Pessoas que me amam de verdade.
Ainda que meu quarto seja silêncio.
Ainda que não exista ninguém para conversar.
Eu não estou sozinho.
Eu sei que um dia vou ter uma vida normal.
Por enquanto não vou desistir.
Não vou desistir de viver.
Estou aprendendo a ser só.
E tentando ser feliz assim.
Mesmo quando tudo fica escuro,
e não consigo dormir.
Não fico mais pensando na escuridão.
Penso que uma hora o sol vai surgir.
E que o dia irá continuar para todos.
E é justamente quando o mundo acorda.
Que eu tenho certeza que tem alguém pensando em mim.
Que eu sou importante para alguém.
Não vou desistir.
Porque eu não estou sozinho.
Não estou.
Guga Ribeiro
AMIGOS
Preciso agradecer a todos vocês.
Preciso realmente disso.
Obrigado!
Sem vocês não teria sobrevivido.
Sem vocês não conseguiria me achar.
Desculpa não ter retribuído da mesma forma.
Desculpa meu egoismo.
Porque sei que vocês também precisavam de minha ajuda.
Agora eu preciso ir.
Preciso realmente partir.
Ainda não acabou.
Prometo que eu vou voltar.
Vou deixar tudo do mesmo jeito.
Da mesma forma,
que vocês deixaram para mim.
Guga Ribeiro
Preciso realmente disso.
Obrigado!
Sem vocês não teria sobrevivido.
Sem vocês não conseguiria me achar.
Desculpa não ter retribuído da mesma forma.
Desculpa meu egoismo.
Porque sei que vocês também precisavam de minha ajuda.
Agora eu preciso ir.
Preciso realmente partir.
Ainda não acabou.
Prometo que eu vou voltar.
Vou deixar tudo do mesmo jeito.
Da mesma forma,
que vocês deixaram para mim.
Guga Ribeiro
domingo, 17 de dezembro de 2017
DOMINGO VAZIO
Meu coração está prestes a parar.
Sinto isso.
Como um domingo vazio.
Como uma sacola de lixo pela metade.
Meu coração vai parar baby.
E só vão me tirar daqui a uns três dias.
Quando o cheiro estiver chegado ao corredor.
Sei muito bem como é isso.
Parentes para reconhecer. Necropsia.
Ao menos uma última punheta.
Ao menos uma última cerveja.
Antes que seja tarde demais.
Guga Ribeiro
Sinto isso.
Como um domingo vazio.
Como uma sacola de lixo pela metade.
Meu coração vai parar baby.
E só vão me tirar daqui a uns três dias.
Quando o cheiro estiver chegado ao corredor.
Sei muito bem como é isso.
Parentes para reconhecer. Necropsia.
Ao menos uma última punheta.
Ao menos uma última cerveja.
Antes que seja tarde demais.
Guga Ribeiro
Esquete: Arte Contemporânea?
Em uma famosa galeria de arte da cidade, um artista expõe sua mais famosa obra: Uma batata inglesa cravejada de pregos. Todos bem vestidos, garçons servindo champanhe e então:
Visitante: Que "peça" bonita! foi o senhor que fez né?
Expositor: Foi. Demorei dois anos para terminar esta obra e me sinto satisfeito com mais este trabalho realizado.
V: O que você pretende com esse trabalho realizado?O que levou a fazê-lo? Sei que não foi uma simples paixão ou uma lembrança vaga de antigamente.
E: Não, Não! Eu me inspirei na vida, no cotidiano, no nosso dia-a-dia. O espírito da vida é amplo e acho que o artista deve retratar o seu momento, o momento das coisas.
Crítico: Impressionante. A cada exposição que eu vou só encontro porcaria. E o que acho mais engraçado é ver a cara de soberba, intelectualidade e arrogância desses... artistas falcatruas.
E: Já sei, deve ser mais um desses críticos de jornalzinho de terceira categoria, que mal sabe escrever. Quanto mais analisar uma obra complexa e introspectiva como essa.
C: Há muito tempo não vejo uma arte séria, que ao menos tenha estética. A crítica social, a crítica ao sistema que nos aliena foi relegada por esses pilantras. Essa arte dita pós-moderna não passa de um nada. Não significa nada e nem pretende significar. É a total desestetização e descaracterização da arte. E você o que acha disso?
V: Bem, eu....
E: Anda, fala logo!
C: Desembucha homem, fala logo o que você acha dessa joça.
Expositor e Crítico: Fala!
V: Já chega, eu vou falar. Eu vim aqui para essa exposição porque minha esposa faz aniversário amanhã e eu preciso comprar algo que seja requintado e fino. E como ela gosta dessas coisas eu vim para cá.
C: Ah! Só podia ser isto. Quem é maluco de achar isso arte?
E: Pois saiba você que com este trabalho eu ganhei o prêmio Salvador Dali de 1998. Que todos os críticos aclamaram minha obra, alegando que ela representa perfeitamente o nosso cotidiano e que milhões de pessoas se identificaram com ela. Assim, fique sabendo você, seu crítico de bosta, que eu faço arte para o mundo e não para um grupinho de pseudo-intelectuais.
C: E desde quando copiar a realidade é arte? Desde quando reproduzir o real é arte? Onde está a subjetividade do artista? Onde está sua criatividade? Isso é mais uma merda que banaliza o real. E digo mais... Essa arte pós-moderna é um reflexo da cultura de massas, do consumismo, fruto do atual processo de globalização. Que não se preocupa mais com o significado. Só se preocupa com signos, imagens. O que vale é o imediato e esse imediato, como sabemos, é descartável e facilmente esquecido. O capitalismo não joga para perder e sua obra é uma mera mercadoria.
V: Eu pensei que....
Expositor e Crítico: Cala a boca!
E: Você é insensível, não é capaz de entender uma obra tão complexa como essa. Seu negócio é falar mal do capitalismo. Que o capitalismo é isso, que o capitalismo é aquilo. Ora você não é capaz de perceber o sentimento do artista, da obra, do trabalho que tive para fazê-la. Além do mais, arte não pode ser definida. Cada um vê a obra de acordo com o que sente. De acordo com aquilo que o traz a realidade. E cá entre nós. Isso eu faço muito bem.
Visitante: Agora quem fala sou eu. Podem abaixar as orelhinhas que agora vocês irão me ouvir. Vocês são dois neuróticos narcisistas...
C: Mas, eu...
V: Cala a boca! Já disse que quando um burro fala, os outros abaixam as orelhas. Vocês são dois egoístas que vivem em um mundinho pequeno burguês. Que nunca subiram um morro para conhecer a realidade da favela. Pobre vocês só vêem no Jornal Nacional e mesmo assim só quando um barraco desaba ou quando o morro está em guerra. Um faz uma arte que só quem tem grana pode adquirir e o outro parece mais um comunista de botequim, que grita palavras de ordem para meia dúzia de bêbados e que nunca fez nada prático para ajudar a comunidade.Os verdadeiros artistas são eles. Esses são os artistas da fome. Que dão nó em pingo d´água para sobreviver. São criativos em sua existência e são os únicos que não deixam nossa cultura morrer. Vocês são acomodados, já sabem o que vai ser do dia de amanhã.
Expositor: Um momento, eu gostaria de...
V: Um momento é o caralho! Cala a boca e senta aí. Como vocês acham que vão educar meus filhos? Com essa conversa fiada? E tem mais... pobre não vai a museu, nem a exposição de merda nenhuma. Então me dá logo esse objeto aí e me diz quanto é.
C: Você tem certeza que vai comprar isto?
V: Isso não é uma mercadoria? Pois então.. Se eu não comprar essa mercadoria fico mal com a patroa em casa.
E: Tá certo! Não estou preocupado em quem vai comprar minha obra. Afinal de contas, mil dólares são mil doláres. Ah! Já ia me esquecer. Quer que embrulhe para presente?
V: Por favor!
Expositor, crítico e visitante: E VOCÊS? O QUE ACHAM DISSO?
Guga Ribeiro.
ZÍPER
Acho que a palavra clichê já virou clichê.
Seria melhor usar o termo zíper.
Sinônimos da mesma árvore genealógica.
Zíper, fecho, braguilha, clichê.
Aquele filme é zíper.
Olha lá aquela roupa tão zíper.
Não me venha você com esse discurso zíper.
Ei, o clichê da sua calça está aberto.
Assim está bem melhor, nada clichê.
Digo, nada zíper.
Guga Ribeiro
Seria melhor usar o termo zíper.
Sinônimos da mesma árvore genealógica.
Zíper, fecho, braguilha, clichê.
Aquele filme é zíper.
Olha lá aquela roupa tão zíper.
Não me venha você com esse discurso zíper.
Ei, o clichê da sua calça está aberto.
Assim está bem melhor, nada clichê.
Digo, nada zíper.
Guga Ribeiro
ESTRELA CADENTE
Quantas vezes olhamos para o céu.
Esperando uma estrela cadente
ou procurando alcançar algum planeta
maior que a lua.
Quantas vezes procuramos aquela estrela brilhante,
pra completar nossa constelação.
Mas estrelas cadentes são como um raio.
E só surgem quando não procuramos.
Quando olhamos para o céu descompromissados.
Assim como quando olhamos para a vida.
E aí minha estrela cadente aparece.
Com uns olhos querendo me cuidar.
Com uma boca querendo me beijar.
E eu consegui me agarrar em seu cabelo,
e segui junto.
Se tiver um fim, vou estar até o final.
Dessa vez não vou voltar do céu.
Dessa vez vou estar junto,
e descobrir onde as estrelas cadentes dormem.
Onde se esconde sua luz.
E aí nossa constelação estará completa.
Nosso planeta será o próximo.
Porque é com você que eu quero estar
quando a lua encostar no mar.
Porque é com você que eu quero estar
quando a luz da estrela cadente se apagar.
Guga Ribeiro
Esperando uma estrela cadente
ou procurando alcançar algum planeta
maior que a lua.
Quantas vezes procuramos aquela estrela brilhante,
pra completar nossa constelação.
Mas estrelas cadentes são como um raio.
E só surgem quando não procuramos.
Quando olhamos para o céu descompromissados.
Assim como quando olhamos para a vida.
E aí minha estrela cadente aparece.
Com uns olhos querendo me cuidar.
Com uma boca querendo me beijar.
E eu consegui me agarrar em seu cabelo,
e segui junto.
Se tiver um fim, vou estar até o final.
Dessa vez não vou voltar do céu.
Dessa vez vou estar junto,
e descobrir onde as estrelas cadentes dormem.
Onde se esconde sua luz.
E aí nossa constelação estará completa.
Nosso planeta será o próximo.
Porque é com você que eu quero estar
quando a lua encostar no mar.
Porque é com você que eu quero estar
quando a luz da estrela cadente se apagar.
Guga Ribeiro
PERDIDOS MAS EM BUSCA DE VIDA
Perdidos no nada, esperando anoitecer.
Refletindo sobre a vida, tentando esquecer a dor.
Na sombra da noite, esperando enlouquecer.
Sentindo que a vida não é só prazer.
Acordar do escuro, viver um dia sem fim.
Tentando gozar o mundo.
E não acreditar em nenhum amor.
E em nenhuma proposta de vida infantil.
Procurar achar a vida.
Que pode estar escondida na sarjeta.
Embriagada de beijos no rosto.
E incapaz de nos oferecer respostas.
Gustavo Ribeiro Alves
Maurílio Lima Botelho
17/06/1999.
Refletindo sobre a vida, tentando esquecer a dor.
Na sombra da noite, esperando enlouquecer.
Sentindo que a vida não é só prazer.
Acordar do escuro, viver um dia sem fim.
Tentando gozar o mundo.
E não acreditar em nenhum amor.
E em nenhuma proposta de vida infantil.
Procurar achar a vida.
Que pode estar escondida na sarjeta.
Embriagada de beijos no rosto.
E incapaz de nos oferecer respostas.
Gustavo Ribeiro Alves
Maurílio Lima Botelho
17/06/1999.
DIA DAS MÃES
Escondido atrás desta janela,
vejo o mundo passar, já não sou mais poeta.
Espero sair dessa solidão.
Dessa angústia vazia, sem o teu perdão.
Caminhando sobre um asfalto marginal,
numa noite de dia das mães, penso...
Quão banal será seu sonho desacreditado?
Quão perversa será a esperança de nosso coração?
Sensível palhaço depressivo.
Escondido atrás desta mesa de botequim.
Embriagado de paixões eternas,
de beijos sonhados e proteção materna.
Escondido atrás desta janela
vejo meus amores passarem, continuo poeta.
Continuo na solidão.
Nessa angústia vazia, mesmo com teu perdão.
Gustavo Ribeiro Alves
09/05/1999
vejo o mundo passar, já não sou mais poeta.
Espero sair dessa solidão.
Dessa angústia vazia, sem o teu perdão.
Caminhando sobre um asfalto marginal,
numa noite de dia das mães, penso...
Quão banal será seu sonho desacreditado?
Quão perversa será a esperança de nosso coração?
Sensível palhaço depressivo.
Escondido atrás desta mesa de botequim.
Embriagado de paixões eternas,
de beijos sonhados e proteção materna.
Escondido atrás desta janela
vejo meus amores passarem, continuo poeta.
Continuo na solidão.
Nessa angústia vazia, mesmo com teu perdão.
Gustavo Ribeiro Alves
09/05/1999
DEUSA DO ARMAGEDOM
Beleza abstrata de nenhuma outra raça,
Deusa do armagedom.
Colírio obscuro, dos poros dos muros,
horizonte do mundo.
Queira não queira, não peça, requeira,
peça por favor.
Me engole, me cospe,
não goste de meu sabor.
Fruta gostosa, um pé de manga rosa que a vida plantou.
Se embora pra praia, se enrosca na areia,
onda que o mar levou.
Andaimes errantes, paqueras sinceras,
pequenas sequelas.
Germina a lua, clareia a rua,
lua toda nua.
Dúvida insegura, tremor da borbulhas,
eloquente paixão.
Musa dos maiores pintores, dos grandes escultores,
de meu coração.
Diva das divindades que o negro inspirou.
Babilônia secreta, suspensa no Jardim de Alah.
Gustavo Ribeiro Alves
Deusa do armagedom.
Colírio obscuro, dos poros dos muros,
horizonte do mundo.
Queira não queira, não peça, requeira,
peça por favor.
Me engole, me cospe,
não goste de meu sabor.
Fruta gostosa, um pé de manga rosa que a vida plantou.
Se embora pra praia, se enrosca na areia,
onda que o mar levou.
Andaimes errantes, paqueras sinceras,
pequenas sequelas.
Germina a lua, clareia a rua,
lua toda nua.
Dúvida insegura, tremor da borbulhas,
eloquente paixão.
Musa dos maiores pintores, dos grandes escultores,
de meu coração.
Diva das divindades que o negro inspirou.
Babilônia secreta, suspensa no Jardim de Alah.
Gustavo Ribeiro Alves
Polainas Velhas
Polainas, velhas polainas.
Faixa na cabeça.
Até parece ridículo.
Mas não era para a gente
e talvez para as pessoas
que viveram aquela época.
Acho que o álcool não se tornou
e provavelmente nunca irá se tornar ridículo.
Independente da época.
De Baudelaire à Bukowski.
Dos egípcios ao Império do século XXI.
Não quero saber da profundidade da vida,
nem do enigma da morte.
Eu quero tudo
que a minha mente puder abrigar.
Não quero desculpas,
copos vazios,
risadas forçadas.
Não quero nada disso.
Vem pra cá meu bem.
Eu sei que as ovelhinhas dormem cedo.
E sei também que você
me faz muito feliz.
Durma agora, durma bem.
Tente se acostumar com o calor
e com os mosquitos.
Tente entender este ébrio que te ama.
E se eu escrevesse uma coisa bonita,
pode ser que você nem saiba.
Pode ser que eu rasgue e jogue fora.
Talvez eu achasse uma merda.
No fundo eu não existo,
nem vejo estrelas
e nem o sol que se põe e nasce
a mais de um bilhão de anos.
Tudo bem!
Que se foda o sol,
que se foda o mar,
o oxigênio e tudo o mais
que necessitamos para viver.
Mas não quero que você se foda.
Eu prefiro fuder com você.
E prefiro que nem leia isto,
porque estou bêbado.
E cú de bêbado,
poesia de bêbado,
não tem dono.
Você também não existe.
Veio lá do sul
e disse que vai casar comigo.
Disse que me ama.
Eu não esqueci de nada.
Não sou artista.
Quero nadar pelado agora.
Parar de escrever.
Terminar de esvaziar este copo.
Talvez gozar de manhã.
E quando fechar os olhos,
não quero sentir aquele cheiro,
de éter dos hospitais.
Fucken Crazy
Faixa na cabeça.
Até parece ridículo.
Mas não era para a gente
e talvez para as pessoas
que viveram aquela época.
Acho que o álcool não se tornou
e provavelmente nunca irá se tornar ridículo.
Independente da época.
De Baudelaire à Bukowski.
Dos egípcios ao Império do século XXI.
Não quero saber da profundidade da vida,
nem do enigma da morte.
Eu quero tudo
que a minha mente puder abrigar.
Não quero desculpas,
copos vazios,
risadas forçadas.
Não quero nada disso.
Vem pra cá meu bem.
Eu sei que as ovelhinhas dormem cedo.
E sei também que você
me faz muito feliz.
Durma agora, durma bem.
Tente se acostumar com o calor
e com os mosquitos.
Tente entender este ébrio que te ama.
E se eu escrevesse uma coisa bonita,
pode ser que você nem saiba.
Pode ser que eu rasgue e jogue fora.
Talvez eu achasse uma merda.
No fundo eu não existo,
nem vejo estrelas
e nem o sol que se põe e nasce
a mais de um bilhão de anos.
Tudo bem!
Que se foda o sol,
que se foda o mar,
o oxigênio e tudo o mais
que necessitamos para viver.
Mas não quero que você se foda.
Eu prefiro fuder com você.
E prefiro que nem leia isto,
porque estou bêbado.
E cú de bêbado,
poesia de bêbado,
não tem dono.
Você também não existe.
Veio lá do sul
e disse que vai casar comigo.
Disse que me ama.
Eu não esqueci de nada.
Não sou artista.
Quero nadar pelado agora.
Parar de escrever.
Terminar de esvaziar este copo.
Talvez gozar de manhã.
E quando fechar os olhos,
não quero sentir aquele cheiro,
de éter dos hospitais.
Fucken Crazy
sábado, 16 de dezembro de 2017
Ensina-me
O instante que ninguém vê.
A bomba silenciosa
que ninguém pressente.
E o final absurdo
que imaginamos ser a morte.
Tudo misturado como arroz e feijão.
Como pés que se procuram
e se misturam com nosso prazer.
O instante que só nós vemos,
mesmo com as luzes apagadas.
E toda preocupação acaba.
Como a sua dor nesses joelhos cansados.
E sonhamos juntos em telas de T.V.
Tudo mudou e não tenho mais enxaquecas
nem insônias, nem remorsos.
Preciso de você porque me faz muito feliz
Porque eu te amo e quero te entender.
O instante que só você vê
e que eu procuro encontrar.
Vou me desdobrar e viver com você o que nunca vivi.
Eu admito...
Ainda sou uma ovelhinha se desgarrando.
Guga Ribeiro.
A bomba silenciosa
que ninguém pressente.
E o final absurdo
que imaginamos ser a morte.
Tudo misturado como arroz e feijão.
Como pés que se procuram
e se misturam com nosso prazer.
O instante que só nós vemos,
mesmo com as luzes apagadas.
E toda preocupação acaba.
Como a sua dor nesses joelhos cansados.
E sonhamos juntos em telas de T.V.
Tudo mudou e não tenho mais enxaquecas
nem insônias, nem remorsos.
Preciso de você porque me faz muito feliz
Porque eu te amo e quero te entender.
O instante que só você vê
e que eu procuro encontrar.
Vou me desdobrar e viver com você o que nunca vivi.
Eu admito...
Ainda sou uma ovelhinha se desgarrando.
Guga Ribeiro.
PORNOGRAFIA
A pornografia é um vício barato, rápido e não contagioso. Quando garoto não era tão barato. Revistas pornôs eram, e acredito que ainda sejam, relativamente caras. Possuíam uma numerosa quantidade de propagandas e de folhas que as vezes ficavam coladas e não voltavam ao lugar. Também não era tão rápida e de fácil acesso. Bom, se você fosse menor de idade tinha que conhecer o jornaleiro do bairro e torcer para que ele tivesse de bom humor e te vendesse uma.
Com o avanço tecnológico das últimas décadas, principalmente no que se refere a internet, constatamos que basta um clique para acessar um conteúdo erótico altamente diversificado. Dependendo da velocidade de conexão, tudo acontece em fração de segundos e a um custo ínfimo, se comparado ao valor das revistas, DVD´S e outras mídias digitais. Grosso modo, o cliente tem acesso a mais variada gama de fetiches e pessoas durante o período de 24 horas ininterruptos, durante os 365 dias do ano. Ademais, com o advento e aperfeiçoamento dos smartphones, a pornografia pode ser acessada em qualquer lugar que possua sinal de rede. No trabalho, na escola, na Igreja, no cinema, na academia, no carro e até mesmo dentro do banheiro de casa, escondido da esposa ou do marido.
A questão crucial se refere ao fato de que esse processo tem gerado diversas consequências nas relações pessoais e, principalmente, gerando uma grande massa de viciados. Isso mesmo, viciados em pornografia. A satisfação sexual é encontrada de forma solitária e toda e qualquer possibilidade de se tentar uma relação sexual com outra pessoa acaba se esvaindo após o clímax. E como uma verdadeira bola de neve descendo a montanha, esse fenômeno vai crescendo, tornando-se incontrolável, tomando, por vezes, uma grande quantidade de horas do seu dia. Sim, você está doente. Mas fique tranquilo, não é contagioso e dificilmente você vai ter uma overdose. Não adianta jogar seu smartphone fora, , quebrar seu computador, dvd, ou qualquer outro tipo de aparato tecnológico. Em uma semana você cai em depressão, como um abstêmio de qualquer outro vício.
A cura, com toda certeza, está em nossa mente, assim como o vício também está. Se soubesse o motivo seria mais fácil. Aliás, se quiséssemos acreditar em todas as respostas mais racionais e convenientes para nós, seria tudo mais fácil. Hoje, decidi escrever, decidi ler " O inverno de nossa desesperança" de John Steinbeck, decidi assistir "Obrigado por fumar". Hoje decidi que não, não vou acessar pornografia. Só por hoje.
Guga Ribeiro.
Ah se eu pudesse...
Ah se eu pudesse...
Escolheria aquela de bom sorriso,
aquela de cabeça boa,
de mini-saia e cordão de couro.
Escolheria a de boa educação,
que divide a conta e transa bem.
Ah se eu pudesse...
Entrelaçaria a mão com a paz
e dormiria tranquilo.
Escolheria a carinhosa, a romântica.
Aquela que sabe ouvir sem gritar.
Ah se eu pudesse...
Não seria apaixonado por aquela doida,
que bebe como um alcoólatra
que transpira pelo olhar
que fala tudo que vem na cabeça
e que só transa por necessidade.
Pouco carinhosa e nada romântica.
Aquela que só faz gritar.
Ah se eu pudesse...
Deixaria a receita de lado.
Deixaria o pneu furar
e a comida agarrar no fundo da panela.
Queimaria a língua e a mão.
Porque ela me ama
e eu amo ela.
Ah se eu pudesse...
Teria feito tudo de novo.
Me mudaria e alugaria um novo apê.
Ficaria com frio debaixo da coberta.
Trabalharia virando massa.
Comeria vina na chapa.
Só para poder estar
perto de você outra vez.
Guga Ribeiro.
Revista debaixo do tapete
- Meu Deus! Este menino está trancado no banheiro de novo. - Disse a mãe.
- Você sabe como é Julieta. Meninos nessa idade são assim mesmo. - respondeu o pai.
- Mamãe olha o que eu achei debaixo do tapete. - Disse a irmã.
Rapidamente o pai responde:
- É uma revistinha de sacanagem. Coisa de garotos.
-Juninho, vai sair do banheiro que horas? - Grita Julieta da cozinha.
- Já estou saindo mãe.
- Eduardo, precisamos levar esse menino ao psicólogo. Você precisa conversar com ele.
- Que nada Julieta, isso passa. Vai ver, daqui a pouco é um rapagão e vai viver enfiado dentro da saia delas.Você vai sentir falta desse tempo. Vai ver Julieta.
Um pequeno rugido e a porta do banheiro se abre. Juninho sai e vai direto para o quarto. Beatriz, a irmã mais velha, fica rindo do irmão. Julieta na cozinha continua fazendo o almoço. Eduardo entra no quarto do meninote e diz:
- Sua mãe está preocupada com você porque sempre demora muito tempo no banheiro. Eu sei meu filho. É normal nessa idade meninos se masturbarem.
Juninho muito perspicaz diz:
-Punheta né pai, você quer dizer punheta.
-Isso meu filho, isso mesmo.
O pai pensativo, olha para Juninho e fala:
- Sua irmã achou uma revista de sacanagem debaixo do tapete.
Juninho imediatamente responde:
- Não é minha pai. Eu juro.
- Eu sei meu filho. A revista é minha. Mas sua mãe jamais poderá saber disso. É um segredo nosso.
-Tudo bem! Você também toca punheta pai?
- Não, sim, é... filho todo homem faz isso. - Reponde Eduardo desconcertado.
- Mesmo na sua idade?
-Sim. Mesmo na minha idade. A diferença é que eu não fico horas no banheiro. Pelo menos não quando vocês estão em casa.
Pai e filho olham entre si e começam a rir.
-Juninho. Presta bem atenção. Eu vou voltar para a sala. Vou mandar sua irmã entregar a revista para você. Vou conversar com sua mãe e dizer que tivemos uma conversa séria e que tudo está resolvido.
- Tá bom pai.
-Ah, Pode ficar com a revista para você. Depois compro outra. Te amo filho.- Disse Eduardo com brilho nos olhos.
- Também te amo pai. - Disse Juninho com ar de admiração.
Guga Ribeiro.
Contracapa
Gosto de ganhar livros com dedicatória.
Gosto mais delas que do livro em si.
Deve ser legal ler as dedicatórias quando chegar a velhice,
se chegar.
Paixões, amigos, poucos amigos,
pessoas que partiram, que brigamos.
Tudo isso fica marcado como uma impressão papilar.
Gosto de comprar discos usados com dedicatórias.
De pessoas que nunca vi e não conheço.
Quando eu morrer quero que meus livros com dedicatória
Sejam vendidos em um sebo qualquer.
Para que algum cretino como eu,
Risque com caneta azul e escreva outra:
Para Gustavo, com carinho.
Guga Ribeiro.
MARIA
É realmente revoltante quando a cerveja acaba e são duas horas da madrugada. Procuro uma garrafa de vinho ou de vodka e descubro que também acabou. Vejo-me impelido a ir ao único bar aberto no centro de Niterói nesse horário. Completamente embriagado dentro do meu quarto, coloco o chinelo e uma camiseta velha. No bolso apenas minha identidade e dentro da cueca vinte cruzeiros, dinheiro suficiente para continuar a me embebedar.
- Puta que o pariu - Eu disse.
- Está chovendo. Foda-se. Vou sair assim mesmo.
Sempre achei guarda chuva uma coisa esquisita. Não tenho mais. Prefiro me molhar a ter que equilibrá-lo em minha mão ou então esquecer em algum lugar que provavelmente não irei lembrar. Ao menos tenho pouco cabelo, o calor do meu corpo seca rapidamente minha blusa e uso chinelo.
- Dessa vez aquela maldita poça não vai me pegar e deixar minha meia completamente encharcada - Pensei.
O nome do botequim é comer-comer. Deviam mudar a porra do nome para beber-beber. Antro de cachaceiros, putas, viciados e de caras que brigavam com a esposa e não tinham para onde ir. Talvez esteja no primeiro tipo: o dos cachaceiros. Embora não goste de cachaça, acho alcoólatra uma palavra muito forte. Sempre vi o alcoólatra como aquele indivíduo que fica na porta do bar esperando abrir para poder tomar a primeira dose ou então aquele camarada que fica caído no meio da rua de tão bêbado.
Tirando o público pagante, a sujeira e o mesmo disco cretino que ficava tocando repetidamente durante toda a noite, poderia dizer que o buteco oferece uma cerveja muito gelada que é servida por uma chinesa chamada Maria. A única coisa verdadeiramente boa naquela espelunca era ela. Sabe, nunca comi uma oriental. Decidi que não poderia morrer sem antes ter transado com ao menos uma.
Maria me vendeu um salgado pela metade do preço. Havia me sobrado pouco.
- Tudo bem, me dá o que restou. Não vai ficar sem comer esse salgado velho por causa de uns miseros centavos - Ela disse.
Com certa dificuldade consegui compreender o que Maria havia dito, devido ao seu forte sotaque chinês.
Antes de ir embora ainda consegui ver um jovem bêbado beijar uma velha banguela. Não o condeno por isso. As banguelas fazem o melhor boquete do mundo. Pode ter certeza disto. Já sabia qual era o plano do rapaz para o fim de noite. Também pude ver um velho parar seu carro em frente ao bar. O desgraçado estava tão bêbado que não conseguia sair do automóvel.
- Mas que belo filho da puta - Resmunguei.
Depois de uns quinze minutos ele conseguiu sair, ileso e com uma garrafa de cachaça vazia debaixo do braço.
O melhor ou pior da noite, sei lá, ainda estava por vir. Tinha um homem, de aproximadamente cinquenta anos de idade, sentado em uma mesa completamente ébrio. De repente quatro putas sentam em sua mesa e começam a pedir comida e bebida. O sujeito paga. Pedem cigarro e whisky. O tio paga. Daí o homem diz bem alto:
- Quero passar a mão na bucetinha das quatro.
Todas riem da situação e concordam imediatamente. Então o indivíduo consegue se levantar da mesa lentamente e começa a passar a mão na buceta de cada uma. Bem devagar e com um sorriso de imensa felicidade. No final lambeu os dedos e depois gritou:
- Isso que é vida porra!
Observei tudo da minha mesa. Inclusive a buceta delas.
Pouco tempo depois fui embora. A chuva já havia passado. Estava a apenas duas quadras do meu quarto. Cheguei menos bêbado que antes. Deve ter sido por causa do salgado e das duas vezes que vomitei no caminho de volta. Liguei para Michele, minha puta favorita. A campainha tocou. Trepamos por uma hora. Ela ficou agradecida por tê-la deixado tomar um banho e por ter dado 10 cruzeiros a mais do que de costume. Michele era apaixonada por mim. Tenho total certeza disso. Fechei a porta, consegui colocar o relógio para despertar e dormi um sono sincero. Sabia que precisava acordar às 8 horas para buscar minha filha de treze anos no terminal rodoviário. Era meu fim de semana com ela.
Acordei ainda meio embriagado, coloquei meus pés no chão ao lado da cama e senti pisar em uma gosma verde no chão. Havia vomitado no pé da cama durante a madrugada.
- Que grande Merda você fez seu cretino de bosta. Agora vou ter que limpar isso tudo antes da minha filha chegar. Merda!- Esbravejei.
Minha cabeça estava explodindo. Não conseguia nem falar. Rastejava pela casa como um doente em estado terminal. Uma das piores coisas da ressaca é ter que fazer alguma coisa no dia seguinte e pior ainda é ter que gastar energia arrumando ou limpando alguma coisa.Catei as camisinhas, joguei fora o lixo, arrumei a cama e limpei a cagada que havia feito. Bebi água e vomitei de novo. Já sabia a ordem de tudo. Então tomei um analgésico para a dor de cabeça, entrei no chuveiro e fui buscar minha garotinha.
Guga Ribeiro.
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