É realmente revoltante quando a cerveja acaba e são duas horas da madrugada. Procuro uma garrafa de vinho ou de vodka e descubro que também acabou. Vejo-me impelido a ir ao único bar aberto no centro de Niterói nesse horário. Completamente embriagado dentro do meu quarto, coloco o chinelo e uma camiseta velha. No bolso apenas minha identidade e dentro da cueca vinte cruzeiros, dinheiro suficiente para continuar a me embebedar.
- Puta que o pariu - Eu disse.
- Está chovendo. Foda-se. Vou sair assim mesmo.
Sempre achei guarda chuva uma coisa esquisita. Não tenho mais. Prefiro me molhar a ter que equilibrá-lo em minha mão ou então esquecer em algum lugar que provavelmente não irei lembrar. Ao menos tenho pouco cabelo, o calor do meu corpo seca rapidamente minha blusa e uso chinelo.
- Dessa vez aquela maldita poça não vai me pegar e deixar minha meia completamente encharcada - Pensei.
O nome do botequim é comer-comer. Deviam mudar a porra do nome para beber-beber. Antro de cachaceiros, putas, viciados e de caras que brigavam com a esposa e não tinham para onde ir. Talvez esteja no primeiro tipo: o dos cachaceiros. Embora não goste de cachaça, acho alcoólatra uma palavra muito forte. Sempre vi o alcoólatra como aquele indivíduo que fica na porta do bar esperando abrir para poder tomar a primeira dose ou então aquele camarada que fica caído no meio da rua de tão bêbado.
Tirando o público pagante, a sujeira e o mesmo disco cretino que ficava tocando repetidamente durante toda a noite, poderia dizer que o buteco oferece uma cerveja muito gelada que é servida por uma chinesa chamada Maria. A única coisa verdadeiramente boa naquela espelunca era ela. Sabe, nunca comi uma oriental. Decidi que não poderia morrer sem antes ter transado com ao menos uma.
Maria me vendeu um salgado pela metade do preço. Havia me sobrado pouco.
- Tudo bem, me dá o que restou. Não vai ficar sem comer esse salgado velho por causa de uns miseros centavos - Ela disse.
Com certa dificuldade consegui compreender o que Maria havia dito, devido ao seu forte sotaque chinês.
Antes de ir embora ainda consegui ver um jovem bêbado beijar uma velha banguela. Não o condeno por isso. As banguelas fazem o melhor boquete do mundo. Pode ter certeza disto. Já sabia qual era o plano do rapaz para o fim de noite. Também pude ver um velho parar seu carro em frente ao bar. O desgraçado estava tão bêbado que não conseguia sair do automóvel.
- Mas que belo filho da puta - Resmunguei.
Depois de uns quinze minutos ele conseguiu sair, ileso e com uma garrafa de cachaça vazia debaixo do braço.
O melhor ou pior da noite, sei lá, ainda estava por vir. Tinha um homem, de aproximadamente cinquenta anos de idade, sentado em uma mesa completamente ébrio. De repente quatro putas sentam em sua mesa e começam a pedir comida e bebida. O sujeito paga. Pedem cigarro e whisky. O tio paga. Daí o homem diz bem alto:
- Quero passar a mão na bucetinha das quatro.
Todas riem da situação e concordam imediatamente. Então o indivíduo consegue se levantar da mesa lentamente e começa a passar a mão na buceta de cada uma. Bem devagar e com um sorriso de imensa felicidade. No final lambeu os dedos e depois gritou:
- Isso que é vida porra!
Observei tudo da minha mesa. Inclusive a buceta delas.
Pouco tempo depois fui embora. A chuva já havia passado. Estava a apenas duas quadras do meu quarto. Cheguei menos bêbado que antes. Deve ter sido por causa do salgado e das duas vezes que vomitei no caminho de volta. Liguei para Michele, minha puta favorita. A campainha tocou. Trepamos por uma hora. Ela ficou agradecida por tê-la deixado tomar um banho e por ter dado 10 cruzeiros a mais do que de costume. Michele era apaixonada por mim. Tenho total certeza disso. Fechei a porta, consegui colocar o relógio para despertar e dormi um sono sincero. Sabia que precisava acordar às 8 horas para buscar minha filha de treze anos no terminal rodoviário. Era meu fim de semana com ela.
Acordei ainda meio embriagado, coloquei meus pés no chão ao lado da cama e senti pisar em uma gosma verde no chão. Havia vomitado no pé da cama durante a madrugada.
- Que grande Merda você fez seu cretino de bosta. Agora vou ter que limpar isso tudo antes da minha filha chegar. Merda!- Esbravejei.
Minha cabeça estava explodindo. Não conseguia nem falar. Rastejava pela casa como um doente em estado terminal. Uma das piores coisas da ressaca é ter que fazer alguma coisa no dia seguinte e pior ainda é ter que gastar energia arrumando ou limpando alguma coisa.Catei as camisinhas, joguei fora o lixo, arrumei a cama e limpei a cagada que havia feito. Bebi água e vomitei de novo. Já sabia a ordem de tudo. Então tomei um analgésico para a dor de cabeça, entrei no chuveiro e fui buscar minha garotinha.
Guga Ribeiro.
2 comentários:
É...
😎😎😎
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