Eu corto o L das palavras.
Eu meto o "r" no lugar do Flávio.
Eu uso gíria e lembro de ajudar os irmãos.
Eu corria descalço atrás de pipa.
Eu jogava bola com golzinho de saco de farinha
E de madeira encontrada no lixo.
Difícil achar madeira.
Daquelas de lei.
Que a Europa roubou.
Porque foi mediante violência ou grave ameaça.
Aquelas cujas naus despontavam no horizonte.
Carregadas de homens de cor preta.
De metais cortantes.
E pólvoras e bolas de chumbo.
Jatobá, pau-brasil.
Brasil mesmo.
Terra de Ninguém.
De faroestes Caboclos,
Cafuzos, mulatos e mestiços.
Essa é nossa gente.
Guga Ribeiro
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