Há muitos anos o ser humano vem tentando compreender o significado
da morte e , principalmente, criando teorias e discursos a
despeito deste tema tão obscuro para muitas pessoas. Tudo tem um
fim e um começo. Até o sol, nosso mais poderoso astro, irá
sucumbir ao tempo e deixará de existir. Quando começamos a assitir
um filme, ficamos impacientes para chegar ao final e saber como tudo
terminou.
Ingmar Bergman, no filme “O Sétimo Selo”, uma de suas
principais obras primas, narra a história de um personagem que joga
xadrez com a morte. Ele sabe que é uma partida vencida. Sabe que
jamais irá vencer esse jogo. No entanto, ele irá lutar, fazendo as
jogadas mais improváveis e desafiará a morte, ganhando um tempo
necessário para viver aquilo que ele ainda não viveu e que gostaria
muito de viver.
Assim somos todos nós. Como no filme deste renomado cineasta
sueco, a morte joga conosco todos os dias. Do momento em que nos
levantamos da cama até o momento de dormir. Desta forma, o cerne da
questão passa a ser o que nós fazemos nesse intervalo. Como
jogamos com a morte. De que forma nossa existência é encarada e
que legado iremos deixar depois que as luzes se apagarem.
Não é a cartola, o terno ou a bengala utilizada
por Chaplin que ficarão na história. Não é o montante de riqueza
acumulado por este que será lembrado. A genialidade e superação de
um ser humano jamais será medida por seu poder econômico. É
justamente aquele personagem pobre, mal trapilho, extremamente
engraçado e sensível que ficou eternizado nos corações e mentes
dos homens. De alguma forma Carlitos entrou no coração das pessoas,
pelo simples fato destas se projetarem no seu lugar. Essa emoção,
esse cair de lágrima no canto do olho, afasta a gente do lugar
comum, das preocupações do dia-a-dia e nos alça ao caminho da
eternidade.
Em outras palavras, o que procuro dizer é que nossas
lembranças estão totalmente associadas ao afeto que recebemos, ao
amor que por nós é recebido e doado. Por isso esse grande temor da morte. O
temor de deixarmos o amor na terra. O temor de deixar as pessoas que
amamos e que nos fazem feliz. O temor de não vermos mais aqueles que
fizeram parte de nossa existência e nos ensinaram o motivo de estar
aqui. Deixamos o amor nos corações dos que ficaram. Não levamos
absolutamente nada. Até nosso corpo, esse mesmo que fazemos de
vitrine, como que uma roupa no manequim de uma loja, não será
levado. A vida deve ser o amor em movimento. Este mesmo amor que nos
afasta da morte e que nos torna eternos.
Gustavo Ribeiro Alves
Um comentário:
"...A vida deve ser o amor em movimento...".
Perfeito!!!
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