sábado, 11 de julho de 2020

SANGUE, SUOR E COR

        Compreendo o racismo da elite. O racismo burguês. Trata-se de justificar nada mais que uma forma de perpetuação no poder. Nesse caso, tendo em vista uma breve análise histórica da sociedade moderna, uma superioridade racial decorrente de uma superioridade bélica.
         Fundamentada em um propósito ambicioso decorrente das grandes navegações e amparada por uma ideologia eclesiástica, foi criada uma ideologia na qual os seres humanos de cor preta não possuiam alma. Grosso modo, detentores do poder econômico  e político determinavam quem tinha ou não alma, sob respaldo da mesma instituição Cristã que queimava  mulheres em praça pública. 
          Desta forma, despossuidos de alma, os negros cativos poderiam sofrer os mais severos tipos de tortura física  e psicológica, trabalhando exaustivamente até sua morte, pois não eram considerados seres humanos. Em outras palavras, o que diferenciava um escravo de um burro, principalmente no Brasil Colônia, era apenas o preço.   
          Erigimos pontes, estradas, fortificações e castelos. Cultivamos lavouras, cuidamos do gado, extraímos ouro, construímos um país. Continuamos limpando casas, recolhendo  lixo, lavando carro, virando massa e jogando bola. Para onde foi toda riqueza produzida por nós? Cadê nossa indenização decorrente dos séculos de trabalho não pago e das condições desumanas de trabalho exercida por nossos ancestrais não tão distantes?. Trata-se de uma dívida impagável. Uma dívida que sequer foi admitida pelos principais protagonistas do cenário social, político e econômico da atualidade.  
           Também compreendo o pobre racista, o preto racista, o nordestino racista, o gay racista, o gordo racista, o judeu racista, a mulher racista. Compreendo por vários motivos, mas principalmente pelo fato de não conceberem que o preconceito que  a gente sofre é o mesmo preconceito que  a gente exerce. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas podemos viver em um mundo em que  a cor da pele não seja um passaporte para o inferno.


Gustavo Ribeiro Alves



Gabinete de História: 13 de maio - Abolição da escravidão: o fim ...Os poderosos podem matar um,duas ou três rosas, mas jamais ...

Um comentário:

Mário Luiz da Silva disse...

Excelente abordagem desse tema tão cruel...