quarta-feira, 4 de abril de 2018

MALANDRO

Tinha apenas dois contos de réis.
Na lapela, terno bordado.
No estômago, água de salsicha.
Descia a ladeira do óleo enlatado,
Da guarita perversa,
Do pesadelo de Sócrates.
Descia com seu malemolente gingado,
Com um sorriso escancarado,
Do novo cordão.
E do jantar oferecido à patroa.
Camarão, batata frita e feijão.
Tudo regado a mais pura cachaça.
Nunca teve dor de cabeça.
Mas teve muitas ressacas.
De linho importado
E chapéu na cabeça.
Desce o morro,
Desce...
Desce o morro malandro.

Guga Ribeiro