sexta-feira, 20 de abril de 2018

PRISIONEIRO

Não sei em que momento,
Meu olhar se perdeu em seus olhos.
E passei a descobrir,
Que existe alguma coisa diferente.
Que essa sensação era melhor que brincar com os amigos da escola.
Aprendi que esse olhar inocente,
Causava dor.
Pelo fato de que nem sempre a vontade,
Era recíproca.

Não, você não foi a primeira.
Também não foi a única.
E devo dizer, que talvez não seja a última.
Mas se acaso for.
Peço que me deserde.
Que me jogue de um despenhadeiro,
E que me enterre depois,
Em uma vala comum.

Como répteis que se adaptam a temperaturas extremas.
Que se mimetizam para sobreviver.
Eu...
Com todo maquinário moderno.
Me recuso a entender.
Que o que descobri na infância.
Viria a se tornar a minha prisão.

E por mais que esperasse o primeiro beijo.
Por mais que esperasse o verdadeiro amor.
De nada adiantaria.
Porque toda essa confusão.
Toda essa mistura de sentimentos.
Não iria desaparecer.
Porque um dia,
Assim como aquela menina da escola.
Eu encontrei você.
E então...
Meus dias passaram a ser diferentes.
Me tornei prisioneiro.
Daquilo que eu mesmo criei.

Guga Ribeiro

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