O garoto olhava os vitrais
E em seus olhos refletiam
Todos os seus sonhos.
Ele olhava o mar
E se jogava...
Sem medo, sem porquês.
O garoto andava assim...
Sem pressa de chegar,
Sem saber onde a noite iria terminar.
E quando amanhecia...
Começava tudo de novo.
Ele já sabia o que fazer.
Mas as cores começaram a mudar.
E o mar já não enfeitiçava como antes.
O garoto começava a ver seus sonhos
Cada vez mais distantes.
Ele começava a entender que a vida
Era como Castelos de Areia
Que se erguiam já sabendo que iriam tombar.
A areia da ampulheta começou a diminuir
E cada grão que cai...
Ecoa com um som cada vez mais forte.
E cada sacudida...
Nos envelhece ao menos dez anos.
O mutante homem interrogação
Não consegue captar nada diferente da realidade nos vitrais.
Sem ilusões e promessas falsas.
Ele caminha... Caminha...
Na mesma estrada que todos.
Com milhões de ampulhetas.
Esquecidas...
No Vale dos sonhos perdidos.
Guga Ribeiro
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