sábado, 10 de março de 2018

EU MESMO

Há quanto tempo não sinto o cheiro desse ar.
Aquele cheiro que lembra os melhores momentos da infância.
De quando jogávamos bolinha de gude no quintal.
De quando parávamos no recreio da escola para lanchar.

Me remete a uma sensação de liberdade, descoberta.
A uma sensação de uma vida simples.
Onde o mais importante era ter com quem brincar.
Jogar bola, botão, pique esconde, bandeirinha, salada mista, pular carniça, polícia e ladrão.

As vezes me deparava com as prisões que os adultos construíam para si.
Que os impediam de caminhar para onde quisessem.
Que os impediam de ser quem realmente gostariam de ser.
E não entendia porque tudo passava a ser programado.
E que os sonhos jamais sairiam do papel.

Gostava do cheiro do café, do barulho da panela de pressão no fogão.
Gostava do rádio encostado na janela tocando os sucessos do momento.
Gostava de Zizi cantando "Perigo".
E me imaginava com a garota mais bonita da escola.
Dançando "spending my time" comigo.

Via Senna ganhar corridas no Domingo.
Ouvia o fla-flu na rádio.
Escutava Vinil e K7 no velho som da nacional.
E passava  horas na locadora de vídeo escolhendo os melhores filmes para o fim de semana.
Confesso que as vezes esquecia de rebobinar.

Que bom poder sentir o cheiro desse ar novamente.
Mesmo com you tubers, Wi-Fi, smartphones.
Mesmo com air-bag, refrigerante refil e Pablo Vitar.
Mesmo com todo esse inglês subversivo.
Posso respirar liberdade.
Fazer o que quiser.
Ser quem quiser.
Bem distante das prisões construídas para si.
Bem perto de onde o sol se põe e de onde o sol nasce.
Em qualquer lugar.
Rio de Janeiro, Curitiba, Canadá.
Longe da garota mais bonita da escola.
Junto com meu melhor amigo, meu fiel confidente, meu alento mais reconfortante: MYSELF.

Guga Ribeiro 10/03/2018.


Um comentário:

Mário Luiz da Silva disse...

Às vezes, "eu mesmo" é phoda.
Mas quem é melhor?