sexta-feira, 16 de março de 2018

HOMETOWN

Caminhando lentamente em sua cidade natal.
Eu sinto que não esqueci nada em casa.
Continuo andando como se o amanhã,
Fosse sombra de amendoeira.
Os carros passam em um ritmo de contemplação.
Com janelas abertas e olhares serenos.
Na grama verde posso deitar
Sentir o sol aquecer um coração cansado.
Esticar o corpo como um cachorro que acaba de acordar.
Dormir,sonhar e despertar com tudo no seu devido lugar.
Menos aquele casal bonito.
Que em algum momento evaporou.
Como gota d'agua em panela fervendo.
Percebi que aí... O tempo passa de uma forma diferente.
Que as esquinas tem nomes europeus.
E que todos param no sinal vermelho.
Mas ainda que o carpete seja diferente.
O amar é sempre amar.
Sem motivo, razão ou direção.

Caminhando lentamente nas ruas de Leminski,  Trevisan, Sil Barsi.
Lembro que tenho que voltar
Pra minha caixa em preto e branco.
Para o lugar em que só forasteiros param em sinal vermelho.
Em que as janelas ficam todas fechadas.
E os olhares sempre atentos.
Onde os parques são teias.
Repletos de aranhas carnívoras.
E nem as praias conseguem mais amenizar.
O calor assassino da minha cidade natal.
Mas o amor que sinto por você.
Ah... Esse amor...
Tá aqui....
Bem guardadinho.
Esperando a próxima chamada.

Guga Ribeiro

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