segunda-feira, 26 de março de 2018

Plumbum

Nasci para ser sozinho.
Como cão sem dono em uma noite fria.
Sem jornal para aquecer as costelas famintas.
Sem osso para saborear poucos minutos de alegria.

Nasci para ser sozinho.
E imaginar dentro desse quarto escuro.
Que o mundo não é maior que nossa mente.
Sozinho em um convés de um transatlântico vazio.
Ou em uma praia cercada de Palmeiras e água beirando o azul piscina.
Sozinho como Crusoé.
Como Dante em um asilo de seu próprio inferno.

Nasci para ser sozinho.
No meio da multidão.
Entre festas, bares,  esquinas.
Entre carros, metrôs e avenidas.
De sinal em sinal.
De Janeiro à Dezembro.
Roto, torto, Lazarento.

Nasci para ser sozinho.
Para viver sem nenhum amor.
Para abraçar o par...
Do travesseiro que sobrou.
E ter somente uma xícara.
Somente um prato.
Uma taça de vinho.
Um pouco de água para beber no gargalo.

Nasci para ser sozinho.
Como um gato..
Que não tem dono mesmo.
Em cima de uma marquise.
Comendo as sobras.
Jogada dos apartamentos.
E depois lembrar...
Do veneno que puseram... não para ti.
Para seus inimigos, ratos.
Mas ninguém avisou.
Que esse chumbo pulverizado também serve...
para gatos...
Para cães...
Para homens...
Sozinhos.

Fucking Crazy






Um comentário:

Mário Luiz da Silva disse...

Ninguém nasceu para ser sozinho, mas a solidão não deixa de viver em constante ambiguidade com a gregariedade humana.