Até que tentei ser honesto.
Mas meu caráter não permitiu.
Não permitiu que eu deixasse de comer a vizinha casada.
Não permitiu que eu não avançasse o sinal vermelho.
Não permitiu que eu não desejasse a morte de alguém.
Eu bem que tentei...
Rezava o pai nosso e dava bom dia para as velhinhas.
Não jogava lixo no chão e usava cinto de segurança.
Trepava de camisinha e não fazia juras de amor.
Mas meu caráter não permitiu.
Não permitiu nada disso.
Foi tudo uma tentativa falida
De enganar o Diabo e encontrar o reino dos céus.
Um cafajeste sempre será um cafajeste.
Um mal caráter sempre será um mal caráter.
Uma puta sempre será uma puta.
E um otário sempre será um otário.
E nada disso vai ser relevante.
Porque todos serão esquecidos.
Enterrados ou queimados.
No céu ou no inferno.
Bons ou maus.
Putas ou Santas.
Mocinho ou bandido.
Ninguém passará pela eternidade.
Ninguém...
Guga Ribeiro
2 comentários:
Assim como todos nós...
Difícil não "se perceber" dentro desse texto (ou contexto...).
Sem mim, Cê vai de mal a pior mesmo!
rsrsrs
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