segunda-feira, 14 de outubro de 2013

 

 

 


Poemas de Vladimir Maiakovski

Tanto pior... Gosta-se, afinal, da própria dor.
 Vejamos...Amo também os bichos - vós os criais, em vossos parques?
 Pois, tomai-me para guarda dos bichos. Gosto deles.
 Basta-me ver um desses cães vadios,
 como aquele de junto à padaria,
um verdadeiro vira-lata!
e no entanto,
por ele,
arrancaria meu próprio fígado: Toma, querido, sem cerimónia, come.


AMO
A Lila Brik

COMUMENTE É ASSIM
Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente.
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Müller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.


A FLAUTA VÉRTEBRA

A todos vocês, que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,

veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.


E então, que quereis?

Vladimir Maiakovski
Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
 E logo
de cada fronteira distante
 subiu um cheiro de pólvora
 perseguindo-me até em casa.
 Nestes últimos vinte anos
 nada de novo há
 no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
 é certo,
 mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado.
 As ameaças
 e as guerras
 havemos de atravessá-las,
 rompê-las ao meio,
 cortando-as
como uma quilha corta
 as ondas.

Nenhum comentário: