As vezes perdemos o rumo mesmo.
Porque não é fácil navegar quando se está só.
Quando sua mãe está morta
e seu pai é um estranho para você.
Quando seus filhos estão distantes.
Quando alguém te pede para deixar um telefone de contato,
em caso de emergência.
E você não tem nenhum número para dar.
Então você dá seu próprio número.
Que se dane se o avião cair.
Que se dane se tudo for destruído.
Porque cada um já tem suas próprias preocupações.
Cada um já tem suas contas à pagar.
Porque quem realmente se preocupava comigo....
Porque quem realmente eu podia deixar o número de telefone
e o nome em caso de emergência...
Morreu nos meus braços.
Em uma maldita garagem.
No dia 04 de maio de 2016.
Guga Ribeiro
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