quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Morres de fraco? Morres de Atrevido.

Aflito coração, que o teu tormento,
que os teus desejos tácito devoras,
E ao doce objeto, às perfeições adoras,
Só te vás explicar co(m) pensamento.

Infeliz coração, recobra alento,
Seca as inúteis lágrimas, que choras,
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os vôos ao ditoso atrevimento.

Inflama surdos ais, que o medo esfria,
Um bem tão suspirado, e tão subido,
Como se há de ganhar sem ousadia?

Ao vencedor afoute-se o vencido.
Longe o respeito, longe a cobardia,
Morres de fraco? Morres de atrevido.

Manuel Maria Barbosa du BOCAGE.

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