Aflito coração, que o teu tormento,
que os teus desejos tácito devoras,
E ao doce objeto, às perfeições adoras,
Só te vás explicar co(m) pensamento.
Infeliz coração, recobra alento,
Seca as inúteis lágrimas, que choras,
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os vôos ao ditoso atrevimento.
Inflama surdos ais, que o medo esfria,
Um bem tão suspirado, e tão subido,
Como se há de ganhar sem ousadia?
Ao vencedor afoute-se o vencido.
Longe o respeito, longe a cobardia,
Morres de fraco? Morres de atrevido.
Manuel Maria Barbosa du BOCAGE.

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